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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

2011

Deixei passar o fim do ano e já estamos no começo desse ano... Acabei deixando o blog meio parado, não fiz metas, não contei as coisas que fiz... Mas ainda é tempo de fazer um balanço de 2010!
2010 começou bem! Eu estava grávida, esperando o Francisco, meu quarto filho! Eu estava ainda sem saber como seria meu parto. Não tinha nada definido. E nem definiria nada. A Luiza veio para a Bahia em janeiro e eu e os meninos fomos passar uns dias em Atibaia. O Rafa estava trabalhando em um salão no Campo Grande, bairro que eu cresci!
Os meses passaram rápido e posso dizer que 2010 teve muito anos, tantas foram as coisas que aconteceram.
Eu desejava e sonhava com um parto natural depois de 3 cesáreas. A busca durou uns 10 anos em termos de desgaste físico e emocional. Muito mais emocional do que físico! Acho que essa busca pelo parto e as decisões que foram tomadas me ajudou a crescer e a fortalecer meu relacionamento com o Rafa.
Enfim em abril eu pari. Acho que o parto foi tão fácil se comparado à busca por ele... A decisão mais difícil da minha vida eu tive que tomar sozinha. Mentir que eu tinha somente uma cesárea, confinado e acreditando que meu corpo funcionaria direito e arcar com todas as responsabilidades e consequencias caso não funcionasse. Essa foi a decisão mais difícil, sem sombr de dúvida! Acredito que nunca mais terei que fazer uma escolha tão difícil na minha vida e espero não precisar mesmo!
Mas enfim tudo deu certo e eu pari. Não me sinto culpada em sentir que todo o mérito foi meu e do meu marido. Foi mesmo! O Movimento de humanização não foi nada humanizado comigo. Não consegui apoio onde procurei. Não consegui soluções quando pedi. Não tive nem palavaras de conforto quando precisei. Mas isso não tem importância, pois EU CONSEGUI. Ainda tenho um pouco de mágoa sim. Poderia ter sido diferente. Eu poderia ter parido em casa como eu queria. Eu poderia ter tido uma equipe legal comigo. Mas não tive. Por isso levo todo o mérito por ter conseguido meu parto. Eu e meu marido.
Em junho decidimos sair de São Paulo e mudarmos para a Bahia, Feira de Santana. Em julho o Rafa embarcava para cá e em agosto vinha eu e as crianças! Nova vida!
Aqui muita informação nova, muita coisa nova, mas nada que já não estivesse aí! Casa nova, grande e com quintal. Piscina de plástico. Pé de acerola. Pracinha com parquinho. Chamado na igreja (lider de prof. visitante). Blog da igreja (chamado de blogueira da Ala, que segundo o Rafa eu inventei e assumi hahahah). Natal com a minha mãe aqui. E fim! O ano acabou!
Balanço:
No começo do ano tínhamos 3 filhos, agora temos 4.
No começo do ano morávamos em um apartamento de 50 m², agora só a parte de terra do quintal tem 76m².
No começo do ano morávamos em São Paulo, agora moramos na Bahia.
Temos 3 galinhas e dois gatinhos!
Continuamos felizes!

Promessas para 2011:
-ser feliz sempre!!!!!!!

domingo, 3 de outubro de 2010

"Voar é para pássaros" - Pica-pau

Já disse uma vez o Pica-pau, enquanto voava atrás de gansos carregando uma malinha no bico que voar era para os pássaros. Concordo!
Me diz onde Santos Dumont estava com a cabeça quando pensou em botar uma coisa tão grande no céu. Relógio de pulso vai lá, mas avião??? É muito grande, muito pesado, muito barulhento...
Não era bem isso que eu pensava sobre aviões. Antes de vir para Bahia eu tinha viajado de avião duas vezes, uma com 5 anos e outra com 10 anos. Não me lembrava das sensações, nem de nada. Confesso que não era uma coisa que me facinava viajar de avião, mas tbm não fedia nem cheirava, tipo tanto faz...
E aí aconteceu! Entrei no avião com a Luiza, o Henrique, o Pietro e o Francisco. Esse último no sling, bem nem aí para o mundo. O Henrique quicava no seu lugar e o Pietro, depois e sentar no seu lugar continuou pedindo para ir no avião! Tá certo Pi, avião tem cara de ônibus de viagem... E então ele começa a andar e tem aquelas intruções no mínimo macabras sobre o que fazer em emergências. Ai, emergências? Se estivesse no meu carro e algo acontecesse eu desceria e esperaria o guincho, mas despressurização, assento que bóia, meu Deus! Pode cair no mar? Socorro! Pára que eu quero descer!!!!
Enfim ele entra na fila para subir! E começa a andar, depois correr e correr e correr. E quando corre treme pra chuchu. E aí ele começa a inclinar! Opa, saiu do chão! Mas não devia parar de tremer? E sobe tremendo e parece que tem um tijolo na minha cabeça me apertando para baixo. Ai, voar é para pássaros!!!!
Não sei o que houve com ela, mas a Luiza falava mais que a boca! E aí ela fala: "ai, detesto quando ele começa a deixar o avião reto depois de subir." E em seguida o avião começa a ficar "reto". O tijolo sumiu da minha cabeça mas em compensação parece que estamos caindoooooooo. Gente, isso não pode ser uma coisa natural! Ok! A luz do cinto se apaga. Eu solto o Pietro para ele poder olhar na janelinha, mas eu simplesmente não consigo tirar meu cinto. Resolvo que vou tentar, pois queria tentar descontrair. Tiro meu cinto e praticamente me arrasto para o banco do meio. Meus pés estão pesados e não consigo movê-los direito. Minha mãos estão frias e imagino que meu rosto devia estampar o medo! Que absurdooooo!
De repente o avião treme! Turbulência! A luz do cinto acende e eu prendo o Pietro. A Luiza olha com pânico para mim: "Mãe, pq a luz do cinto acendeu?" Minha voz sai falhada: "por causa da turbulência", mas eu tento agir como se tudo fosse a coisa mais normal desse mundo, como se eu não estivesse morrendo de medo hahaha
Hora do lanchinho. Bolinho de chocolate e uma pacotinho de bolhachinhas salgadas. Refri e suco. Para as crianças uma festa! Eu estava com o estômago cheio (de borboletas) e mal consegui tomar meu refri. As crianças se entupiram e eu olhando o relógio para ver se estava perto da hora daquela tortura terminar! O comandate resolve nos informar que estávamos sobre Belo Horizonte em altura (35 mil pés) e velocidade de cruzeiro. Precisava disso mesmo? Pra quê me lembrar que estávamos tão alto??? No acento da frente da Luiza alguém da equipe do Santos FC estava sentado. Comecei tentar observar as pessoas! Como elas agiam com naturalidade, como se voar fosse algo tão normal e comum! Peguei uma revista, tentei me distrair, mas eu estava muito tensa! De repente aquela sensação de queda novamente e a Luiza anuncia que detesta quando o avião faz isso na descida! Pela hora nós estávamos chegando mesmo. O avião parecia que caia e depois subia, caia e depois subia. Eu não contava com esse passeio na montanha russa. A carinha do Francisco era muito engraçadinha. A cada "queda" do avião ele arregalava os olhinhos assustados, mas tão fofo! E de repente curvas e mais curvas. E curvas sobre o mar. E aí, nesse momento acho que foi o único que o meu medo passou! A lembrança da minha ultima viagem de avião e da chegada à Salvador me encheram de alegria! Tá, ainda estava um pouco assustada! Mas aquele mar imenso lá embaixo, aquele céu azul e a visão de Salvador foi o momento mais lindo (acho que o único) da viagem toda! E o avião descia e eu estava sem medo de olhar pela janelinha (boa parte da viagem ela ficou fechada...). E aí o aeroporto e o medo tomou conta de mim! Pista, pista, pista e ele não vai encostar no chão??? Encostou... Mas ele não vai parar??? Eu só relaxei quando a velocidade diminuiu e ele ficou só devagar pela pista. Relaxei tanto que eu poderia encostar e dormir... Levantei meio cambaleante, saí do avião e fiquei tremendo por algum tempo ainda. Não sei se da tensão que passei ou se de fome...
Alguns dias depois uma reportagem na TV fala sobre o medo de avião. E uma coisa me chamou a atenção. Uma psicóloga especialista nesse medo falou que pode ser um medo transitório. Um medo que surge em algum momento da vida por alguma razão e depois some. Uma das razões que ela citou se encaixava direitinho naquele momento da minha vida. ela falou que algumas pessoas desenvolvem esse medo em momentos de mudanças na vida, seja mudança de casa, de trabalho, de carreira. Eu estava de mudança.
Espero ter sido essa a razão de todo o meu pânico. Espero poder voar sem medo. Espero ter que voar novamente daqui há muito tempo, afinal voar é para pássaros.