sábado, 10 de maio de 2014
Menino de azul! Menina de rosa!
Hoje em dia vejo um exagero absurdo e radical em relação às brincadeiras, vestimenta e comportamento dos meninos e meninas! Primeiro, ou talvez o que tenha me chamado a atenção primeiro, foi a questão dos meninos tbm poderem brincar de bonecas! Praticamente foi levantada uma campanha para que deixassem os meninos brincar de boneca! Logo depois comecei a notar uma campanha para que as meninas não fossem criadas para serem fúteis! Como assim? Não chamar de princesa pq remete e induz a submissão. Permitir que brinquem de bola, carrinhos e cutuquem o nariz kkkk. Parar imediatamente com a cultura do rosa/lilás para meninas e azul para meninos.
Acho interessante e construtivo que as pessoas saibam que meninos podem usar rosa e brincar de boneca e que meninas podem gostar de futebol e vestir azul! Ainda temos muitos pais e mães que acham que o menino vai virar homossexual se encostar o dedo em uma Barbie! Mas vamos combinar que está havendo um certo exagero nisso? O que vejo aos montes pela internet são meninos sendo meninos como sempre foram, com, no máximo, uma camiseta cor de rosa e uma panela na mão. Enquanto as meninas estão sendo desfeminilizadas completamente! Vemos meninos e sabemos que eles são meninos. Vemos meninas que achamos que são meninos! Como assim? Isso não é machismo, querer que nossas meninas se pareçam com meninos? Hoje em dia vemos mães em altas discussões pq são contra colocar um brinco na filha, pois não sabem se ela vai querer usar quando crescer! Mas o cabelo comprido a criança usa! Será que ela queria ter longos cabelos? Roupas: elas estão livres para escolher um tênis do batman ou da Barbie e são aplaudidas por escolherem o do batman. Se escolhe o da Barbie a mãe se preocupa que a filha se torne fútil e dondoca! As meninas de hoje não podem vestir rosa pq é símbolo de fragilidade, futilidade e é uma cor estereotipada. Por isso as meninas que têm mães conscientes e antenadas não as vestem de rosa. E se a filha começa a pedir para usar roupas rosa a mãe se preocupa, pois imagina que logo a filha pedirá para ser chamada de princesa e se torne fútil!
Enquanto as mães de meninas estão desfeminilizando as filhas, as mães de meninos, no máximo estão usando camisetas rosas e comprando panelinhas e bebês de plástico! Continuam sendo incentivados serem superherois e são chamados de garotão, meninão e no mês de heróis! Cadê a liberdade para usar um tênis da Barbie? Eu vejo sempre meninas com tênis de superheroi, mas nunca vi um menino com tênis da Barbie, monster high ou moranguinho. Será que eles não gostam dos modelos ou será que na hora de comprar, esses modelos não são apresentados para eles? Já vi meninas com fantasia do homem aranha, mas nunca vi um menino fantasiado de mulher maravilha ou com um vestido de princesa! Alguém me explica qual a lógica disso? Pq, de repente, as meninas podem se comportar e se vestir como meninos, mas os meninos não podem se comportar e se vestir como meninas? Qual a lógica?
Gente! Pelamor! O que estão fazendo com nossas crianças? Pq não deixamos nossas meninas usarem rosa, brinco, andarem por aí pensando que são princesas cor de rosa, pintarem suas micro unhas para imitar a mamãe, usarem batom com gostinho de morango enquanto correm por aí com seus cabelos suados e cheiro de criança livre? Pq não deixamos nossas filhas usarem tênis do batman com saia de babado num dia e no outro brincar com Barbie e carro do maxsteel? E nossos meninos? Pq não deixamos eles usarem tênis da Barbie enquanto chutam bola? Pq não permitimos que experimentem um vestido de princesa só pra experimentarem como uma menina se sente ao vestir uma fantasia do batman?
Pq simplesmente não deixamos que eles realmente escolham, sem nossa influência, já que os influenciamos em todo o resto, da alimentação ao comportamento?
Eu escolhi passar minha infância inteira brincando com meninos, usando roupas "de menino". Poderia ter passado a minha infância inteira vestida de rosa e de vestidos e tenho certeza de que seria exatamente quem sou hoje, talvez gostando mais de maquiagens, sapatos e perfumes hehehe
Acho tão triste as pessoas acharem que ao chamar suas filhas de princesa estão influenciando para que ela seja submissa... Além de triste, acho completamente descabido isso! A submissão, a futilidade, a agressividade não vem por causa de um jeito carinhoso de chamar! Outros fatores tornam uma menina fútil ou submissa. Outros aforres tornam um menino agressivo e machista.
Vamos pensar no que estamos realmente fazendo com nossas filhas e filhos! Deixemos eles livres! Sem esquecer que liberdade é poder escolher. E sem esquecer que as escolhas se baseiam nas opções que oferecemos!
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Mãezinha*, mãezona, mais mãe, menasmain**
Henrique nasceu de cesárea agendada pq a médica me enganou. Eu era mãezinha.
Engravidei do Pietro e durante a gravidez dele eu aprendi que eu poderia parir depois de 2 cesáreas, que meu bb poderia nascer em casa, que ele não precisava de chupeta, não precisava de mamadeira, que ele poderia mamar no peito exclusivamente até quando eu quisesse, que ele poderia dormir na minha cama, que ele poderia ficar no meu colo por quanto tempo ele sentisse necessidade... E mais um mundo de coisas.
Pietro nasceu de cesárea, mas mamou muito no peito e foi exclusivo até 7 meses e meio. Nasceu de cesárea agendada, mas dormiu na minha cama. Nasceu de cesárea, mas foi carregado em um sling! Nasceu de cesárea eletiva, mas usou fraldas de pano! Saí da Matrix. Descobri um mundo real onde a maternidade simplesmente é! Deixei de ser mãezinha!
Depois eu pari. Um VBA3C (um parto normal depois de 3 cesáreas). E depois pari de novo. Um 2VBA3C e foi desassistido e foi em casa!
Deixei de ser mãezinha e virei mãezona. Deixei de ser menasmain para virar mais mãe. ??????????????
Afinal o que é ser mãezinha? o que é ser menasmain?
Quando uma colega da faculdade soube que eu usava fraldas de pano nos meus filhos ela falou a frase "Nossa! A Larissa é mãezona mesmo!" O fato de eu usar fraldas de pano nos meus filhos me torna mais mãe do que as mulheres que usam fralda descartável? o fato de eu não dar chupeta nem mamadeira me torna mais mãe? Pq minha bb dorme comigo eu sou mais mãe? Pq minha bb é carregada no colo e não é deixada chorando eu sou mãezona? Pq eu não acato mais às orientações em forma de receita de bolo que os médicos dão eu deixei de ser mãezinha?
Semana passada eu me coloquei para pensar sobre isso e descobri que fora da Matrix as mães se rotulam! Sim! Colocam rótulos entre si e isso me incomodou muito!
Aquela mulher que queria muito um parto normal, as não trocou de GO ela "queria querer".
Aquela que planejou um PD, mas foi transferida para o hospital para ter analgesia, ela lutou muito, mas em off, se deixou dominar pela dor, coitada. é fraca...
Aquela mulher que passou 40 horas em TP e acabou em uma cesárea é uma guerreira lutadora, mas em off é uma coitada, tadinha, não conseguiu. Mas no próximo ela consegue um vbac ou um vba2c...
Aquela mulher que pariu em casa em um parto tsunâmico desassistido é uma heroína!
Mas se na foto o bb dela aparecer com uma chupeta na boca... cri-cri-cri... silêncio... melhor não falar nada...
E tudo em off, na conversa à meia boca (ou meio teclado hehehe) com as amigas, fala mal:
- só usa fralda descartável...
- deu Nan pq acreditou que tinha pouco leite...
- deu chupeta pq queria dormir mais...
- comprou cadeirinha que vibra, brinquedos da Fisher Price e decorou o quarto do bb em NY!!!!
- vai ao pediatra todo mês e dá todas as vitaminas que ele manda!!!
- é consumista
- consome industrializados
- tinge o cabelo
- faz progressiva
- o bb veste roupas importadas carésimas!
Tudo isso é motivo para aquela mãe ser mãezinha e menasmain...
Sabe o que descobri? Minha descoberta foi bombástica para mim! Minha descoberta me fez passar dias revendo, repensando, em que mundo eu estou? Em que mundo eu vivo? Onde me encaixo?
Descobri que saí da Matrix sim!!!! Mas descobri que o mundo que entrei não é o mundo das supermães, mãezonas ou mais mães! é o MEU MUNDO!
Sim! Eu tive um parto desassistido com 2 horas e meia de TP ativo. Foi lindo, foi maravilhoso e foi o parto que eu mereci!
Sim, eu uso fraldas de pano nos meus filhos, mas NÃO é para preservar o meio ambiente, não é por ser ecológica, não é por economia! é pq eu acho confortável. Mas tbm é pq eu acho as fraldas lindas, maravilhosas, me satisfaz comprá-las e ver minha filha usado! Eu uso fralda de pano por puro CONSUMISMO!!!! Gasto uma água lascada para lavar minhas fraldas, pois enxáguo milhares de vezes! Não! Eu não uso fraldas de pano para preservar o meio ambiente! Eu uso fraldas de pano pq me sinto feliz em ver minha filha com uma fralda linda! Pq me sinto feliz quando alguém elogia a fralda dela! Como as pessoas gostam de escrever #prontofalei
Minha filha dorme comigo, mas não pq eu li em algum lugar sobre criação com apego, mas pq é muto mais fácil amamentar dormindo. Pq ela dorme mais tempo estando do meu lado e pq, sinceramente, eu não aguento ficar levantando e passando noites em claro!
A primeira vez que vi um sling eu quis, não pq acreditava em dar colo para o bb, mas pq achei LINDO aquele modo de carregar no colo e achei que seria super fashion andar pelo shopping carregando um bb em um pano com um rabo esvoaçante! Acabou que apaixonei por carregar bebês no colo e passei a acreditar na causa, mas isso não me faz mais mãe! Nem mais consciente na primeira escolha!
Eu não prego o anti-consumismo, eu não sou anti-galinha pintadinha (aliás, eu ADORO a galinha pintadinha!). Eu adoro lembrancinhas bobas dos meus filhos daquelas que a escola pede dinheiro para mandar fazer. Eu adoro!
Então sabe o que eu penso? Se ser assim é ser mãezinha, se ser assado é ser mãezona, eu tô fora!
Eu sou eu mesma! Sou mãe de cinco filho que escolhi 3 cesáreas eletivas, escolhi parir meu quarto filho mentindo no hospital e escolhi parir minha quinta filha em casa! Eu sou uma consumista que escolheu usar fraldas de pano coloridas e lindas, importadas e nacionais só para minha filha ficar mais linda! Eu sou uma mãe preguiçosa que escolheu colocar o bb na cama comigo para não precisar ficar levantando de noite! Sou consumista pq adoro brinquedos da Fisher Price e Lamaze, adoro roupas lindas importadas e adoro bugigangas fofas que não servem para nada! Adoro lembrancinha de aniversário que vem com foto do bb e que depois eu não sei o que fazer com ela. Adoro festa em buffet infantil colorido e cheio de luzes piscando. Adoro Galinha Pintadinha, Xuxa Só Para Baixinhos, Patati Patatá e fico com os olhos todos molhados quando vejo meu filho feliz por encontrar os palhaços em um show na escola! Ou quando ele canta "alguém que mora lá no céu gosta de mim". Eu sou preguiçosa, pois deixo meus filhos assistindo TV para eu poder fazer o almoço ou limpar a casa ou mesmo ficar no computador um pouco!
Essa sou eu! Se ser assim é ser menos, então eu sou menos para algumas pessoas. Se ser assim é ser mais, então sou mais para essas pessoas! Mas independente do rótulo que me dão, eu sou MÃE e sou a MÃE dos meus filhos!
Eu não sou heroína pq tenho 5 filhos, uso fraldas de pano, não dou chupeta, pratico criação com apego, tive vba3c e um parto desassistido. Não!!! eu não sou nada disso!!!! Eu sou mãe, tenho minhas escolhas e não sigo um modo de vida pré estabelecido por um grupo ou outro de pessoas! Eu sou mãe e sigo o MEU modo de vida!!!! E se ser assim me traz algum rótulo eu não ligo mais para isso!!!
A partir de hoje eu sou UMA MÃEZINHA* FELIZ!!!!
* o termo mãezinha pode ter um sentido muito pejorativo, diminuindo a mulher e seu papel como mãe. Mas mãezinha tbm pode ser um termo carinhoso e lindo! Mãezinha pode ser uma mãe delicada e carinhosa. Mãezinha pode ser um jeito lindo do filho chamar a mãe. Mainha em alguns estados do Brasil é um jeito de chamar a mãezinha!
** Menasmain é um termo usado para rotular as mãezinhas no sentido pejorativo. As menasmain geralmente são aquelas que se defendem em conversas que não estão atacando ninguém, por exemplo uma pessoa fala: a amamentação fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê. A mãezinha vira e fala: não sou menasmain pq dou mamadeira para o meu filho. eu amo e cuido dele com muito carinho...
Sim, vc não é menas. Vc só não entendeu o que eu falei...
As menasmain sentem-se constantemente atacadas por não sentirem-se seguras com suas escolhas! Elas não amam menos os seus filhos e nem não menos mães!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
A tal da Galinha
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
sábado, 15 de outubro de 2011
Relembrando a descoberta - parte 2
Henrique: logo depois que eu soube que estava grávida eu tive que sair para buscar a Luiza na escola. O Rafa trabalhava no caminho da escola dela, então resolvi sair mais cedo e passei onde o Rafa trabalhava. Cheguei lá e me disseram que ele estava sozinho na sala, mas quando abri a porta tinha um aluninho com ele. Eu só olhei para o Rafa e perguntei: "Tem alguma coisa diferente em mim?" Os dois fizeram cara de Hã? e eu fiquei esperando do lado de fora. Quando pude entrar e ficar sozinha com o Rafa continuei a perguntar o que tinha de diferente em mim e ele começou a chutar: "sobrancelha? cortou o cabelo?" e eu fazendo que não com a cabeça! E então ele fala o que eu achei que ele não fosse falar: "Tá grávida?" como eu não esperava que ele fosse chutar essa possibilidade eu só reagi com um "sim..." E ele começou a chorar e me abraçou e eu tbm chorei!
Para a Luiza contamos no mesmo dia! Ela tinha 5 anos e entendeu que teria um irmãozinho. Ficou feliz!
Pietro: Depois de ver que tinha um bebê dentro de mim eu saí do banheiro com a fitinha do teste na mão. Eles estavam na sala e não sabiam que eu tinha ido fazer o teste no banheiro (tá bom, eu imaginei que o Rafa sabia ou imaginava, pelo menos...). Saí do banheiro tentando fazer cara de decepção, mas é claro que não consegui. Cheguei na sala olhando para eles e falei: "Tem nenê!" O Rafa arregalou os olhos: "Quê?" Me abraçou e começou a chorar e eu tbm! A Luiza, com 9 anos na época, começou a gritar "Viva! Parabéns!!!!" e o Henrique, com 3 anos, gritava parabéns tbm, mas nem fazia ideia do motivo! Esperei passar uns dias para explicar para ele o que realmente estava acontecendo. Contei para ele em um sábado e ele ficou tão feliz, mas tão feliz que saiu falando para todo mundo no shopping "Minha mãe tem um nenê na barriga que vai ser meu irmão!"
Francisco: Eu fiquei sabendo sozinha que estava grávida e ninguém nem sabia que eu imaginava essa possibilidade. Então pensei em contar de um jeito bem diferente. Guardei segredo, mas comecei a falar que eu sabia de uma coisa que ninguém sabia. Isso rendeu boas risadas. Eles ficavam tentando adivinhar. A Luiza estava com 12 anos e o Henrique com 6, então a brincadeira foi muito legal! Eu dizia que eu sabia de uma coisa que ia chegar. Bom, eles chutaram as mais variadas coisas: carro novo, brinquedos, sofá, máquina de lavar, cama... tudooooo. Dessa vez eu já estava preparada para o caso do Rafael acabar com a graça soltando um "Está grávida!" e coloquei um pacotinho de absorvente displicentemente largado no banheiro. ele não ia ficar contando os absorventes para saber se eu estava usado ou não! Ele falou que eu estava grávida, como eu previ e eu respondo que não, pois até estava menstruada! Ele caiu heheeh
Como ninguém sabia da gravidez, ela ainda era meio surreal. Existia, mas não existia. Eu sentia a necessidade de me trancar no quarto e ficar olhando para o teste por alguns minutos toda hora! Até que numa segunda-feira, todos em casa, eu não aguentei mais ficar guardando o segredo só para mim. Falei que ia contar, mas precisava preparar umas coisas primeiro: peguei um par de tênis de cada um de nós e enfileirei no corredor: Rafa, meu, Luiza, Henrique e Pietro. Peguei uma caixinha e coloquei o teste com um parzinho de sandalinha de RN junto. Pedi para olharem e que ali estava a resposta. O Rafa olhou e contou os pares. Pegou caixinha e quando abriu não teve mais dúvida! Chorou e eu tbm!!! Todo mundo comemorou. Só o Pietro, que na época tinha 1 ano e 7 meses, é que não entendeu.
Foi assim que dei as notícias de que a família ia aumentar!
NÃO, EU NÃO ESTOU GRÁVIDA! Só estou relembrando! Relembrar é muito bom!
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Relembrando a descoberta
Hoje no Facebook uma pessoa pediu que compartilhássemos com ela como foi a descoberta da segunda gestação nossa. Aí fiquei relembrando como descobri a segunda, a terceira e a quarta gestação! Resolvi fazer essa postagem para não esquecer. Deve ficar longa, mas as lembranças nunca são poucas!
Henrique: Eu queria engravidar assim que casei, afinal já tinha a Luiza, então nem tínhamos aqueles momentos "só nós dois" que os recém casados tem! Mas demoramos um pouco para começar a tentar de fato. Não me lembro quando decidimos que eu pararia o anticoncepcional, mas me lembro quando minha menstruação atrasou pela primeira vez. Ela não desceu e eu comprei um teste de farmácia. Fiz sem esperar o Rafa. Fui ao banheiro e na expectativa só uma listinha apareceu: negativo... Fiquei tão triste... Minha menstruação desceu algumas horas depois. Depois foram mais duas vezes: atraso - exame - negativo - decepção. E então fui em uma ginecologista que me pediu os exames pré-concepcionais. Por via das dúvidas pediu tbm o BHCG caso estivesse atrasada. Fui fazer e estava no 33º dia do ciclo. Estaria atrasada caso minha menstruação fosse regular e pontual. Coisa que não era. Mesmo assim a moça do laboratório (que ficava na mesma clínica da GO) resolveu colher para o Beta. Meus exames ficariam prontos em duas semanas, então quando havia passado uma semana da coleta eu liguei para a clínica para marcar meu retorno com a GO! A secretária da médica atende e o diálogo foi esse:
- Alô, Larissa! Ai que bom que você ligou! Eu tentei tanto falar com você essa semana! Estava desesperada! É sobre seus exames!
(Eu pensei que algum resultado grave tinha aparecido) - Mas está tudo bem com meus exames? O que deu?
- Ah! Nada! É que você está grávida! Ai... Nem sei se eu podia falar... Peraí que vou passar para a doutora...
E enquanto ela transferia a ligação eu fiquei toda boba! "Grávida..." Não sabia se ria, se chorava, o que eu fazia...
Logo lembrei que eu tinha pegado um moto-táxi e pedido para ele correr muito, pois precisava ir ao banco que já ia fechar. E depois tinha corrido muito entre um banco e outro para conseguir pegar o banco aberto... E foi assim que descobri que esperava o Henrique!
Pietro: eu já queria outro bebê há um tempo. Tentávamos, mas nada muito neurótico. Já fazia uns meses que eu gastava uns reais com testes de farmácia, mas sempre dava negativo. Tinha atrasos recodes de 10 dias e nada de gravidez. Fora os sintomas. Atrasava e todos os sintomas apareciam. Mas aí atrasou um dia, dois, três... E eu me recusei a comprar teste. Tbm estava sem dinheiro. E então o Rafa foi encontrar a mãe dele no dia 2 de maio e pediu dinheiro para ela para comprar um teste, pois ele iria receber dali a uns dias só. chegou em casa com o testezinho na mão! E lá fui eu para o xixi no banheiro. Meio sem avisar ninguém que de fato faria o teste aquela hora, pois não queria ver a cara de decepção de ninguém. Todos os teste que eu já havia feito (mesmo antes da gestação do Henrique) tinham sido feitos sozinha! E então fiz xixi no copinho, coloquei a fitinha e vi o xixi subindo... subindo... uma listinha... subindo... outra listinha... subiu! POSITIVO! Coração a mil! Assim descobri que estava grávida do Pietro!
Francisco: Eu já queria outro bebê desde que o Pietro tinha 1 mês. Então qualquer enjoo que eu sentia eu corria na farmácia e comprava um teste! Quando o Pi estava com 7 meses eu tomei a vacina para Rubéola, então eu não poderia engravidar por 3 meses! Mas quando o Pi estava com um ano eu estava louca para estar grávida de novo! Eu amamentava e minha menstruação demorou para voltar, então quando eu achava que poderia estar grávida eu fazia um teste. Fiz vários. comprava sempre na mesma farmácia e as meninas até já sabiam que eu estava louca para engravidar! Quando o Pi estava com 1 ano e 4 meses minha menstruação desceu! Viva!!! Fértil de novo! Mas eu estava muito desregulada! Primeiro ciclo: 23 dias, segundo ciclo: 40 dias, terceiro ciclo: 28 dias, quarto ciclo eu nem me liguei se iria atrasar ou não. Dessa vez, depois de fazer dois testes de farmácia por ciclo no últimos meses eu nem me importei com nada. Julho tinha sido um mês difícil e triste para mim, pois meu companheirinho Mingau havia partido. Eu nem pensei em engravidar esse mês. Dia 7 de agosto eu fiz essa postagem. No dia 9 de agosto eu faço essa postagem. Eu estava pirando achando que estava de TPM. Enfim cansei de ficar sofrendo e fui comprar um teste de farmácia. Morrendo de vergonha do pessoal da farmácia que eu sempre ia, eu fui em outra e paguei 8 reais mais caro no teste. Cheguei em casa, bebi um pouco de água e esperei quase nada e fui fazer xixi no palitinho do teste! Como sou muito besta, resolvi que ia fazer o número 2 assim não ficava na expectativa de ver o xixi subindo... Abri o livro Amanhecer que estava lendo. Li dois parágrafos e olhei o teste! Duas listrinhas! POSITIVO! Ai, pensei que fosse ter um treco sentada no vaso! Meu coração martelou no peito! Meu ouvido começou a zumbir e eu tentei agir normalmente. E então a Bella vai até a mala dela e descobre os absorventes que a Alice havia colocado na mala! E faz as contas mentalmente e coloca a mão na barriga! Ela estava grávida! Sim! Eu descobri minha gravidez quando lia exatamente essa parte do livro! Era dia 13 de agosto, dia internacional do Vampiro (e acho que dia do Rock). Assim descobri a gravidez do Francisco!
Como contei para o Rafael que estava grávida? Fica para a próxima postagem!
NÃO! EU NÃO ESTOU GRÁVIDA! Só estou relembrando!
sábado, 13 de agosto de 2011
"Não importa se eu não sou o que você quer"*
O tempo passa mas minha dor continua. Minha gravidez escondida, como uma adolescente que esconde a barriga da família. Não me lembro quando foi que contei, mas lembro que foi num impulso. Sem querer comentei a gravidez em uma lista que participo e em seguida em outra lista tbm. E de repente eu estava recebendo os parabéns pela nova gestação e isso me inundou de alegria. Resolvi compartilhar.
Aquele silêncio foi e ainda é o que mais me dói. Tudo foi dito naquele longo silêncio. Não precisava de mais nada. Nada que fosse falado depois poderia amenizar o ensurdecedor som daquele silêncio. Da imensa felicidade eu despenquei para uma depressão que parecia não ter fim. Angustia, choro... Me senti como uma menina de 13 anos grávida e julgada por toda a sociedade. Minha gravidez aos 30 anos. Minha gravidez invisível, como passei a chamar. Meu filho crescendo no meu ventre e minha gravidez indesejada (por outras pessoas). Minha barriga incomodava. Meu filho incomodava. Não recebi parabéns. Ninguém me ligou desejando coisas boas. Minha barriga crescia e continuava incomodando. Não parecia um nascimento chegando, parecia uma ferida prestes a supurar. Um peso que eu carregava resultado da minha inconsequência. Ali, no meu corpo, para todos verem, estava a marca da minha irresponsabilidade.
Com o tempo, um ou outro coração amoleceu, mas no meu coração o som do silêncio daquele dia ficou.
Tudo mudou.
Francisco nasceu. Eu pari. Eu nasci. E as pessoas esqueceram o silêncio. Esqueceram o meu pecado. Mas em mim aquele silêncio que começou no telefone vai ficar pra sempre. Não se trata de perdoar, de deixar para lá. Era meu filho chegando. Era meu coração batendo duas vezes dentro de mim. Era eu me doando para aquele ser que eu nem conhecia.
Doeu e ainda dói. E sempre que me lembram que precisamos ser castrados (sim, essa é a palavra que quero usar) eu lembro de toda a dor que senti. E sempre que olho para meu filho, lembro de tudo que não foi desejado para ele. E sempre que lembro de tudo isso, vejo como o Francisco é especial. Tão especial que conseguiu mudar tudo antes mesmo de nascer. Tão especial que fomos paridos!!!
A aí percebo como tem gente mesquinha de sentimentos.
Mas a vida está aqui. E hoje faz dois anos que descobri que descobri que essa nova vida estava chegando!
Parabéns Francisco e parabéns para mim! Que todos possamos ser felizes, ter saúde e uma vida longa!
*Me adora - Pity
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Questão de parto
Infelizmente a maioria das mulheres que engravidam não querem passar por essa experiência, ou as que desejam não sabem como é o mundo das cesáreas no Brasil e cai no conto do bebê grande, cordão enrolado, placenta velha, mãe nova, mãe velha, mãe míope, unha encravada, chulé crônico, bebê grudado na placenta e por aí vai a lista de absurdos que conseguem inventar para que a mãezinha se sinta convencida de que não pode parir!
Como fugir desses absurdos? SE INFORMANDO! Hoje em dia a internet está aí para isso! Quem sabe usar, tem uma ferramenta de grande poder nas mãos, tanto para divulgar como para informar! Me assusta a quantidade de mães na rede e na blogosfera que não buscam e não se informam. Ficam passivas diante da tela do computador apenas colhendo as informações que chegam através dos outros sem questionar, sem pesquisar, sem buscar!
"tá com cólicas? dá chá!", "acorda de noite? deixa chorando!", "tá com 38 semanas sem dilatação? Não vai dilatar mais!", "a barriga está grande? o bebê não vai passar!" "meu bebê nasceu por cesárea por causa do cordão no pescoço, o seu tbm vai nascer por cesárea!"... E a mãezinha com a melhor das intensões junta toda essa informação que chegou nela e usa! Sem questionar o motivo da amamentação exclusiva (sem chás) até 6 meses, sem questionar ou buscar soluções para não deixar seu bebê chorando, sem dar um google e ver se é possível a mulher dilatar depois das 38 semanas, sem buscar relatos de partos de bebês grandes e sem descobrir que cordão no pescoço é o maior mito que existe e a maior enrolada que o médico inventa para levar mães para a cesárea!
Claro que se você está lendo essa postagem não se enquadra mais nessa descrição de passiva que acabei de dar. Talvez já tenha se enquadrado, assim como eu, que tive TRÊS cesáreas eletivas e me enquadrava muito bem nessa mãezinha que ouve e usa tudo sem saber o que está certo, o que está errado, o que dá para aproveitar e o que dá para jogar fora! Mas mudei! E todas podem mudar!
Enfim o mundo virtual está aí para ser usado com sabedoria! Boas pesquisas, muita paciência lendo os mais de 145786934734784092 resultados que o google apresenta, filtrando tudo o que leu e você descobre muitos blogs e sites com informações fantásticas!
Voltando ao parto e às informações! O blog Parto no Brasil é um desses blogs que trazem informações sobre parto que todas as gestantes, tentantes e futuras mamães deveriam seguir! Doula, episio, lei do acompanhante, parto domiciliar e números assustadores de cesáreas no Brasil são temas que sempre aparecem por lá. Informam, emocionam e divulgam! Adoro esse blog!
E sempre tem sorteios por lá também! Dessa vez o sorteio é do maravilhoso livro Parto com Amor (veja o começo aqui). Acho que toda gestante deveria dar uma olhadinha e ler apenas uma das histórias de amor que conta no livro! Para concorrer ao livro é só ir lá no blog, deixar um comentário com nome e email e ter sorte!
E depois disso, dar um lida em todo o blog com muito carinho!
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Sobre tudo e sobre nada
Qualquer coisa que me faça feliz: o olhar do Pietro, o sorriso do Henrique, as "tiradas" da Luiza e as conquistas do Francisco. O sol da manhã, a brisa noturna, o cheiro da chuva, o cantar do galo. O cachorro latindo, suco de manga, salada colorida, lima gelada. Morango com creme de leite e suspiro, andar na rua de tarde, pão quentinho, dormir até mais tarde. Barulhinho de bebê pequeno, fogos de artifício, seriado na TV, cinema com a família. Pipoca de tarde, conversinha de bebê, piscina no calor, estrada vazia. Natal, aniversário de filho, aniversário de casamento. Carinho de gato, lua cheia, cheiro do mar, abraço de filho, lembrança da vó. Lembrança do parto, (re)conhecer o filho, cheiro de filho. Tantas coisas, quase nada...
Sobre toda minha vida: nasci em 79 em Salvador. Cresci em São Paulo. Estudei em 5 escolas. Tive muitos amigos. Passava as tardes na casa da minha avó. Fui crescendo. Passava as tardes sozinha em casa! Estudava de manhã. Fiz natação. Quis ser psicóloga. Quis ser veterinária. Quis ser médica. Quis ser terapeuta ocupacional. Namorei. Quis ser mãe. Tabalhei. Engravidei. Fui mãe. Cresci. Juntei. Separei. Fui para o Mato Grosso. Voltei. Casei. Fui para Goiás. Fui mãe de novo. Cresci. Voltei para São Paulo. Trabalhei. Estudei. Fui mãe de novo. Cresci. Estagiei. Engravidei de novo. Pari; pari meu filho! Cresci muito. Mudei para a Bahia. Tantas coisas em poucas linhas.
Tem dias que aacordo com sono, cansada e quando ouço o barulho das criançs no quarto ao lado fico pensando no trabalho que eles dão. Hoje eu escolhi não pensar no trabalho. Escolhi pensar nas bênçãos, nas alegrias, noss beijinhos babados. São só crianças! Estão só apredendo! E eu sou a mãe! A melhor mãe do mundo para eles!
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Nem tudo são flores
Realmente eu escolhi, eu quis e eu desejei ardentemente isso!
Esses dias atrás eu estava sentada na sala e meus filhos estavam no sofá! Só olhar para eles fez meu coração se encher de alegria: meu sonho realizado! Quantas pessoas no mundo podem dizer que realizaram um grande sonho? Meu sonho era ter muitos filhos e eu tenho e sou mãe deles. Nunca deleguei os cuidados deles à outra pessoa, nunca deixei de cumprir meu papel de mãe! Sou muito feliz por ser mãe!
Mas não é por isso que nunca vou estar cansada, descabelada e com vontade de sair correndo e gritando! Não é por eu ter desejado tanto que eu vá ter uma mente equilibrada para o resto da minha vida e nunca vá falar que está cansada com a gritaria das crianças!
Ser mãe exige paciência, determinação, coragem, sensibilidade e loucura! Não, eu não escrevi errado! Um pouco de loucura faz bem! Se eu estiver achando tudo lindo, perfeito e maravilhoso, algo está errado, pois nem tudo na vida materna são flores! A rosa é linda, mas tem muitos espinhos! Nunca ouvi alguém dizer que não gosta de rosas por causa dos espinhos!
Muitas vezes sinto muita, mas muita mesmo, falta de um tempo só para mim, um tempo para estudar, passear, relaxar sozinha, sem ficar esperando um choro, um pedido de água, sem esperar que um menino pelado vai entrar e pedir para ajudar a por a calça! Eu preciso disso! Preciso de um tempo só para mim, só ee comigo mesma! Mas sei que hoje não é possível, mas vai ser um dia! Enquanto isso eu só gostaria de dizer que eu amo meus filhos, amo ter muitos filhos, amaria ter mais filhos, amo minha vida e amo minha família! Mas nem tudo são flores na maternidade!
sábado, 27 de novembro de 2010
Amor maior?
Não posso dizer que amo mais o Francisco do que amo a Luiza. A Luiza me mostrou o amor maternal. Lembro como se fosse hoje o sentimento que eu nunca havia experimentado antes toda vez que eu olhava para ela. Foi algo mágico, algo que eu não conseguia explicar, por nunca ter sentido antes. E como eu nunca havia sentido antes eu não entendia e achava tudo maravilhoso! Era tão forte e poderoso aquele sentimento que eu acreditava que jamais poderia sentir aquilo por outro bebê! Como posso dizer que amo mais o Francisco do que a Luiza?
E como posso dizer que amo mais o Francisco do que amo o Henrique? O HEnrique foi meu primeiro menino. Meu tão desejado menino! Eu sempre quis ser mãe de meninos e o Henrique foi o primeiro. Eu sabia assim que fiquei grávida dele que era o meu menino que estava chegando! Quando ele nasceu, aquele amor que eu senti quando a Luiza nasceu foi facilmente reconhecido. Sim, eu era capaz de amar outro bebê! E eu amava meu menino demais!!!!
E como posso dizer que amo mais o Francisco do que o Pietro? O Pietro veio para me ensinar e mostrar um jeito novo de maternar. Me mostrou outros caminhos, me ensinou a ser uma mãe melhor. O Pietro é meu filho passarinho, tão miudinho, magrinho e lindo! Na gravidez dele eu aprendi muito sobre gestação e parto. Depois que ele nasceu eu aprendi muito sobre amamentação, alimentação. Ele me trouxo tudo isso! Ele trouxe meu VBA3C! Como posso dizer que amo mais o Francisco do que o Pietro?
E o Francisco? Amo meu caçulinha lindo! Não amo mais do que amo os outros! Mas alguma coisa mudou, alguma coisa é diferente? Sim. Comparo com um enorme copo de água gelada! Água é água. Precisamos dela e sentimos necessidade de água! Mas um copo de água em um momento qualquer do dia é bem diferente de um copo de água em pleno dezembro escaldante, na 25 de março, no meio daquela muvuca de gente se acotovelando por presentes de Natal. Aquela sede que você sente que a boca chega a ficar seca! Aí você entra em uma lanchonete e fica meia hora só para conseguir comprar uma garrafinha de água que nem gelada está. Aí você abre e toma! E que água mais maravilhosa foi essa que você tomou? Foi uma água deliciosa e você vai saborear cada gotinha dela! E vai ficar feliz e grato por ter conseguido aquela garrafinha, mesmo que não estava gelada!
Meu VBA3C foi tão difícil de conseguir que o sentimento que tenho pelo Francisco é diferente. O Francisco foi meu quarto filho. Água fria! Nada diferente. Aquele amor descomunal que senti pelos outros, aquela emoção ao ver o rostinho dele pela primeira vez, foi tudo igual com os outros filhos. Mas um sentimento diferente ficou. Uma ligação especial. E não foi devido à via de nascimento, não foi o parto normal em si que nos deixou ligados. Acredito que se eu tivesse lutado até o fim e tivesse passado por uma cesárea necessárea, essa ligação, esse vínculo já teria se formado. Olho para ele e sinto uma cumplicidade entre nós. Uma luta, uma batalha que ganhamos juntos. Alguma coisa é maior entre a gente. Certamente não é o amor. E certamente o que fez essa coisa ser maior entre a gente não foi o parto normal, foi a busca por ele. As dificuldades que encontramos, os "nãos", os "... e se...", as dúvidas macabras que nos rondaram durante a gestação toda.
Nossa relação é diferente sim! Não é mais amor. É algo mais! Olho para ele e vejo um lutador, um guerreiro. Muitas crianças nascem de parto normal e um vbac tecnicamente não é mais difícil para o bebê... Mas ele esteve junto comigo nessa luta. Se eu lutei, ele lutou também. Eu pari, mas ele nasceu. E só o fato de termos conseguido juntos um VBA3C já o torna especial para mim!
Não sei dizer o que é. Sei que não é um amor maior. Talvez um dia eu entenda o que é ou talvez um dia esse sentimento passe e fique só o amor. Mas o Francisco é minha garrafinha de água no meu momento de maior sede! Ele é especial para mim!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Depressão pós-parto, EU???
Tive o parto perfeito, o parto que sonhei, o parto mais lindo do mundo!
O Francisco é um bebê lindo, sorridente, não teve cólicas, não tivemos problemas na amamentação, ele nunca passou a noite acordado, sempre dormiu bem, é sossegado!
Mas veio uma tristeza sem fim quando o Francisco estava com uns dois meses. Mas logo eu achava um culpado: Quem pode ser feliz com problemas financeiros? Quem pode ser feliz morando em um apartamento tão pequeno com 4 filhos? Não dá para ser feliz tendo que limpar bandeja de gatos que fazem cocô toda hora! E como ser feliz sendo dona de casa? É por isso que eu estou tão triste!
E além de triste eu estava sem paciência para nada e com ninguém. Mas como ser paciente com 4 filhos? Não dá para ter paciência com um menininho de 2 anos querendo chamar a atenção! Não dá para ser paciente com crises de adolescente! Não dá!
Triste, sem paciência, desanimada! Mas qualquer um ficaria desanimado morando aqui nesse apartamento com 4 filhos e 3 gatos. Qualquer um não teria vontade de fazer nada aqui!
Além de triste, sem paciência, desanimada, eu também estava irritada com tudo, sonolenta e com vontade de sumir! Mas eu achava que tinha uma razão bem lógica e obvia para tudo isso! Afinal minha vida estava muito ruim! Era assim que eu enxergava!
Mudei de cidade, praticamente mudei de vida! Altos e baixos. Dias bons, dias ruins. Mas sempre achando uma justificativa para tudo isso! Lentamente as coisas foram se agravando. Por mim eu ficaria o dia inteiro sentada na cama dando mamá para o Francisco e só! E os outros filhos e marido? Poderiam simplesmente desaparecer de um dia pro outro! Eu conhecia muito bem esses sintomas, mas seria possível? Sim, de novo!
Tive depressão pós parto quando o Henrique nasceu. Todo o primeiro ano de vida dele eu tenho somente uma lembrança embaçada. Não me lembro muita coisa. Lembro dos momentos especiais: quando ele engatinhou, quando andou e poucas outras coisas. Eu tinha um ciúme fora do comum do Henrique e só eu parecia saber cuidar dele direito. Não podia nem pensar em ter mais filhos. Melhorei quando ele tinha 1 ano.
Quando tive o Pietro eu fiquei bem, não tive nada. Tenho lembranças claras do primeiro ano dele, eu me sentia feliz, animada, morria de vontade de ter mais um filho logo.
E aí veio um filho desejado com um parto desejado e lindo. Tudo perfeito! Como eu poderia estar sentindo tudo tão parecido com o que senti quando o Henrique nasceu? Sim, eu estou com depressão pós parto.
Já ouvi que depressão pós parto não existe. Que isso é invenção da mulher. Que é para chamar a atenção... Já ouvi muita bobagem sobre isso. Mas a depressão pós parto existe sim e afeta cada mulher de um jeito diferente. Eu fico assim: triste, implicante, irritada, sem paciência, desanimada, sonolenta, com vontade de me isolar. Não rejeito o bebê. Na verdade fico querendo ele mais perto de mim. Sinto como se o BB fosse o único que não vai me julgar. Dessa vez eu não estou com ciúmes do Francisco, mas é o único filho que quero por perto. É muito triste todos esses sentimentos. Ainda mais para mim que tenho praticamente tudo o que quero. Tenho os filhos que quis ter, tenho minha linda família, tive meu tão desejado e sonhado VBA3C que eu posso dizer com muito orgulho que consegui praticamente sozinha, tenho filhos lindos, saudáveis e felizes. Hoje moro em uma casa enorme e linda. Posso não ter dinheiro, mas isso não é o que mais importa na vida hehehehe Como posso ter esses sentimentos tão horríveis? Como posso deixar esses sentimentos me transformarem tanto?
Assim que reconheci os sintomas e ACEITEI a depressão pós parto eu procurei ajuda. Estou tratando com florais e homeopatia. Comecei o tratamento há pouco tempo, menos de uma semana, e ainda não tenho muitos resultados. Mas sei que vou superar mais essa assim como superei da outra vez.
Tenho dias bons e dias ruins. Tem dias que estou bem, que brinco com as crianças, me divirto, me sinto feliz e animada. Em contrapartida fico dias me sentindo mal. O pior é ter que fingir. Eu não consigo deixar transparecer. Eu não consigo sair de casa e ficar com a cara triste. Costumo estampar meu melhor sorriso e fingir estar bem! Eu acho bem mais fácil uma cara feliz, pois ninguém vem fazer perguntas. Uma cara triste sempre traz a pergunta: “o que você tem?”. E eu não vou me abrir para qualquer um.
A depressão pós parto é assim. Acho que para a maioria das mulheres é meio vergonhosa. Principalmente para aquelas que tem tudo, como eu. Quando a mulher engravidou sem querer, teve um parto ruim, se separou ou está passando por um momento difícil aos olhos da sociedade, fica mais fácil assumir, pois vai ter um culpado. Algo como “Ah! Ela teve depressão pós parto pois engravidou sem desejar” ou “Ela teve depressão pós parto pois acabou de se separar do marido/é mãe solteira/perdeu o emprego assim que voltou da licença...”. Não estou menosprezando esses problemas, mas para a família, amigos e conhecidos fica bem mais fácil entender a depressão pós parto quando tem um problema visível. Mas e quando a vida parece perfeita e você vive a vida que escolheu para si? Aí os comentários são outros: “Isso é o que você escolheu” ou “Você que quis assim” ou “você que quis ter um monte de filhos”... Sim, eu que escolhi tudo isso que eu vivo e sou muito feliz por ter tudo o que sempre sonhei (menos dinheiro hehehe), mas não estou feliz nesse momento. Espero dar a volta por cima e logo lembrar desse período como um sonho ruim ou um pesadelo.
Escrevi esse texto para mostrar que a depressão pós parto não escolhe mulheres tristes. Ela apenas surge em qualquer mulher, forte, fraca, feliz ou triste, que estejam passando por momentos difíceis na vida ou que estejam vivendo a vida que pediram à Deus, que tenham passado por coisas tristes ou que tenham passado pelos momentos mais gloriosos da sua vida! Ela simplesmente vem e o que temos que fazer é reconhecer, assumir e tratar!
E vida nova depois disso é o que espero!
terça-feira, 24 de agosto de 2010
O trabalho de parto
Sim, ainda esse assunto!!! Acho que esse assunto para sempre seria pouco para mim!
Quase 3 meses depois do dia P eu resolvi tirar uma foto da página da minha agenda onde anotei as contrações. Não tirei foto do TP ou do parto. Fico com um pouco de pena de não ter fotos desse momento tão maravilhoso da minha vida, mas eu nem pensei nisso. Estava focada em conseguir e só! A única foto que bati durante meu TP foi uma foto do Pietro hehehe Então são poucos registros que tenho e por isso fiz questão de guardar a página da agenda.
No alto eu anotei a hora que a bolsa rompeu: 14:40. Eu estava com contrações espaçadas vindo a cada 5, 8, 7 minutos... Estavam doloridas, mas era uma dorzinha boa ainda! De repente ploct e não saiu água nenhuma! Depois veio a enxurrada e a certeza de que meu filho estava chegando no momento que ele escolheu!
Comecei a anotar as contrações quando elas começaram a ficar bem doloridas e com uma duração maior, chegando quase a um minuto. 15:11 foi a primeira que marquei. Eu estava na sala, sentada à mesa mexendo na internet. Postei no blog Diário de Grávida, coloquei fotos no orkut, troquei emails, joguei uns joguinhos... Estavam suportáveis e eu estava feliz demais!!!
17:12 tive uma contração e fui para o chuveiro. As contrações começaram a ficar doloridas. Perdi a noção de tempo e achei que tivesse ficado só um pouquinho, mas depois eu marquei uma contração só as 17:56. Já estavam bem doloridas mesmo, mas bem suportáveis!
As 18:32 foi a primeira contração que o Rafa anotou depois que ele chegou. Nessa altura eu já não conseguia anotar a hora mais. Porém eu não sentia necessidade de gritar e nem consegiua fazer isso. Em algum momento depois disso eu resolvi ir para o chuveiro de novo. Lá eu comecei a falar "ai, ai, ai...". Começou a doer de verdade (pelo menos até aquele momento). Saí do banho as 19:35 e marquei um T, indicando que a dor era tanta que eu estava com tremor.
19:50 eu fui comer pizza. Tive essa contração e me apressei em comer antes de ter outra. Demorou 8 minutos para vir e quem anotou foi a Luiza. Ela tbm anotou algumas outras. Depois da pizza eu resolvi que queria ir para o hospital, mas não sabia se ia ou se ficava. Fui trocar de roupa, experimentei deitar de lado (terrível demais), agachar, ficar em pé, ficar de 4 e a melhor posição naquele momento era ficar de joelhos a abraçar o encosto da poltrona!!!
A última contração as 21:06 foi anotada pela Luiza. Depois dessa eu tive muitas outras em casa. Saimos de casa as 21:30.
Meu TP foi um momento muito importante na minha vida. Acho que posso classificar minha vida por antes do tp e depois do tp. O trabalho de parto foi me transformando aos poucos junto com cada contração. Cada dor jogava no meu corpo sentimentos novos, acordava partes adormecidas e esquecidas, fazia nascer outras que eu nem sequer sonhava que podiam estar lá comigo. Cada grito que dei fez acordar em mim uma mulher forte e gigante. Cada minuto que passou valeu por anos de aprendizado e conhecimento. Cada gota que saia de mim me fez conciente de cada parte do meu corpo e de todo o processo que ele estava passando.
Tudo foi mágico!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
O que é um parto normal depois de TRÊS cesáreas?
A alegria era tanta por termos lutado e vencido essa batalha que não faltava vontade de anunciar para o mundo. E assim o fizemos. O Rafa passou a falar para todos que eu tinha tido um parto normal depois de três cesáreas. E eu comecei a perceber o que isso significava para as pessoas que ouviam isso:
- Para minha mãe foi a prova de que sou teimosa o bastante para conseguir o que eu quero sempre. E ela não está errada! Mas ela nem imagina o quanto teimosa eu sou!!!
- Para minha sogra eu sou uma doida que podia ter tido uma cesárea sem dor e fui inventar de ter um PN para sofrer! E imagina que "não deram nem um pic para ajudar a nascer" e que eu achei isso melhor!!!! hehehe
- Para os conhecidos da igreja isso não foi absolutamente nada, afinal a grande maioria das muheres de lá tiveram todos os seus bebês por PN nos hospitais públicos da região!
- Para minhas vizinhas eu fui louca em não ter ido para o hospital do convênio e pedido para tirarem o bebê! Foi bem feito pra mim, pois eu tinha convênio e não quis usar. Além de ser considerada uma louca por dizer que amou o PN!
- Para uma tia minha eu pude responder à sua pergunta: "É igual nas novelas? Tem que fazer muita força e dói muito?".
- Para uma amiga foi uma surpresa quando respondi que tinha sido normal depois dela perguntar sobre a dor no corte, afinal o médico dela disse que seria impossível um parto normal depois de duas cesáreas, quem dirá depois de três!
- Para a pediatra não foi nada, pois não quis entrar em detalhes e ela acha que tive os outros por PN tbm heeheh
- Para algumas mulheres das listas que participo e que acompanharam os acontecimentos foi uma vitória para mim!
- Para minha filha foi a prova de que a mãe é teimosa e que conseguiu o que queria e foi também a certeza de que será a melhor forma dela ter os filhos dela!
- Para o Pietro foi assim: "Nenê atcheu e não itagou baigá mamãe" (Nenê nasceu e não estragou a barriga da mamãe). Não sei de onde ele tirou isso!!!
- Para meu marido... Bem, estou esperando saber o que foi exatamente para ele. O relato dele está pronto, são 7 páginas escritas à mão e estou esperando ele passar para o word...
- Para mim foi TUDO. Foi a realização de um sonho, foi minha realização como mãe, como mulher, como dona do meu corpo e do meu nariz. Foi a prova de que quando se quer muito uma coisa o mundo conspira para que aconteça. Foi o meu crescimento como pessoa, foi o encontro com minha força que eu nem sabia que existia. Foi a minha explosão! A explosão da bomba relógio ambulante que eu era aos olhos de muitas pessoas que eu fui atrás para procurar ajuda! Sim, essa bomba explodiu! Explodiu em ocitocina, explodiu em vida, em gritos misturados ao choro de alegria e de uma nova vida!
O que é um parto normal depois de TRÊS cesáreas?
É a explosão da bomba relógio!
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Laços e parto
Tive 3 filhos por cesárea sem nunca ter entrado em TP antes. Com toda certeza eles nasceram antes do que deveriam ter nascido. Seja um dia antes ou duas semanas antes, mas nasceram. De qualquer forma um processo foi interrompido. Amo meus filhos nascidos por cesárea igualmente amo o Francisco. Isso independe o tipo de parto, a escolha que foi feita (se foi eletiva ou necessárea), se queria normal e fizeram cesárea ou se queria cesárea mas nasceu normal: uma mãe vai amar o filho igualmente sempre! Ela nunca vai ser mais ou menos mãe por causa do tipo de parto. O que vai fazer dela uma mãe "mais mãe" é a relação que ela tem com seu filho e só isso!
Mas enfim, voltando ao assunto, eu sempre fui muito mãe dos meus bebês. Na primeira filha eu que fiz questão de fazer TUDO desde o começo: primeiro banho, amamentar, acordar de noite. Isso com 18 anos e sozinha, sem marido ou namorado. Sempre quis escolher o melhor para ela, tentar entender o que ela estava sentindo, tentar fazer o que eu achava certo (mas acabei ouvindo muito palpite - assunto para outra postagem hehehe). No segundo filho eu fiz como com a primeira com a diferença que ouvi menos palpites hehehe. Mas nossa relação foi bem parecida. Com o terceiro filho eu já não ouvi palpite nenhum e nossa relação foi muito parecida com a relação que tive com os outros: compreenção, amor e tentar fazer o melhor por eles.
Aí veio o Francisco: um parto normal, natural, assumindo as escolhas que nós fizemos. Um parto onde eu precisei trabalhar junto com meu filho e ele junto comigo. Ele não foi simplesmente tirado de dentro de mim com hora marcada, sem dar sinais de que queria ou precisava sair. Ele e eu trabalhamos para isso por muitas horas. Durante todo esse trabalho eu fui mudando e ele foi chegando. Eu fui me abrindo para ele e ele foi pedindo passagem para o mundo. Enquanto meu corpo trabalhava para ele sair, o corpinho dele trabalhava para ele chegar a esse mundão!
E ele chegou. Ele se esticou todinho dentro de mim, empurrou junto comigo e nasceu. O processo se completou. Do inicio ao fim. Do dia em que ele se "instalou" aqui dentro, que foi o dia que ele escolheu, ao dia que ele saiu de dentro de mim por sua própria vontade também. Durante esses meses, semanas, que ele ficou dentro de mim nós fomos criando laços invisíveis que não vão se desfazerem nunca. Esses laços também foram criados nas gestações anteriores, mas acredito que faltou algum. Acredito que na hora do parto do Francisco mais um laço se criou, mais uma conexão foi criada, um processo completo que chegou ao fim sozinho, sem a imposição de ninguém.
Repito que em termos de amar um filho, não sinto diferença nenhuma de amor entre eles!!! O que sinto na verde é uma ligação diferente com o Francisco, um conexão além do que eu consigo compreender. Acredito que isso se deve ao processo todo de concepção, gestação e nascimento que se completou. Ao contrário da cesárea eletiva ou da cesárea enganativa, quando esse processo é interrompido antes mesmo de a mulher entrar em trabalho de parto. Posso estar falando bobagem, mas é assim que enxergo tudo isso.
Hoje acredito que a mulher precisa entrar em trabalho de parto, precisa passar pela transformação do seu corpo, precisa sentir que seu bebê quer nascer e que ele está trabalhando para isso. E se por uma acaso ela precisar de uma cesárea realmente necessárea esse processo já se iniciou e esse último laço já foi criado. Hoje lamento profundamente ter marcado o dia do nascimento da Luiza, pois sei que se não o tivesse feito eu não teria tido 3 cesáreas. Porém foi graças a esses três nascimentos que pude compreender, aprender e entender toda a beleza e mágica de parir um filho e tudo o que isso trás depois do parto!
Para finalizar, deixo um exemplo de conectividade com meu pequeno que nunca tive com nenhum outro filho.
Amamentei todos os meus filhos, uns mais, outros menos e dois ainda mamam. Sempre em livre demanda todos. Quem amamenta em livre demanda sabe que não tem hora para dar de mamar. O Francisco nunca teve hora para mamar, nem mesmo criou um intervalo regular para isso. Tem hora que mama agora e pede novamente depois de meia hora. As vezes mama e vai pedir de novo dali 3 horas. Acontece que quando ele quer mamar ele começa a se agitar, depois começa a dar pequenas resmungadinhas reclamando e só se não foi atendido é que ele começa a chorar. Aí vem o inexplicável! Algumas poucas vezes ele fica longe do alcance da minha visão, como por exemplo pela manhã quando ele está no quarto e eu estou preparando o Henrique para ir à escola, ou quando estou lavando louça e ele está dormindo na sala. Nessas poucas vezes em que isso acontece e ele quer mamar eu sinto o meu peito encher de leite e só depois escuto o choro dele! Lembrando que ele só chora depois de se agitar e de resmungar! E lembrando que eu não ouvi ou vi isso! E que ele não tem hora para mamar!
Com meus outros filhos meu leite descia simplesmente com o chorinho de fome ou só no inicio da mamada. Com o Francisco existe algo ligado entre nós, algum laço invisível, uma conexão que eu não sei explicar. Mesmo não estando perto e não ouvindo, eu sei que ele quer mamar! E esse é só um exemplo que eu acho lindo de sentir!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Dando a notícia
Fiquei tão orgulhosa em anunciar meu parto normal!
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Francisco.

Francisco chegou dia 17 de abril! No blog Diário de Grávida eu conto como foi o nascimento dele, um parto normal depois de 3 cesáreas!
sexta-feira, 26 de março de 2010
Falar bem ou falar mal? Melhor não falar nada!
Na família acontece a mesma coisa! Impressionante como os filhos dos outros são perfeitos, educados, atenciosos, unidos, felizes, batalhadores e os seus filhos nunca são bons o suficiente. Sempre passei por isso. Minha tia sempre teve as melhores filhas do mundo e sempre ouvi isso da minha mãe. Uma outra tia também sempre teve filhos mais que perfeitos. Como sempre ouvi isso eu sempre achei que ela se recentia muito em eu não ser como as filhas de uma tia ou os filhos da outra tia. Cheguei a estar ao lado da minha mãe e ela elogiar as sobrinhas e dizer que ficaria muito feliz se tivesse filhas como as dela! Imagina como me senti?
Minha mãe sempre falou demais da vida dela compartilhando coisas sem necessidade nenhuma! Fazendo isso as pessoas em volta sempre souberam mais do que deviam e se sentiam no direto de julgar, opinar, gostar ou desgostar de mim, inclusive. Minha imagem sempre foi do ponto de vista da minha mãe, sem nunca eu ter tido a chance de mostrar quem realmente sou. E a minha família (marido e filhos) acabam sendo vistas pelos olhos da minha mãe. Meu marido é detestado por algumas pessoas. Imagina que quando ele foi trabalhar na mesma empresa que ela teve pessoas que simplesmente não gostavam dele sem ao menos conhecê-lo. Quando fiquei grávida dessa vez algumas tias/tios e primas/primos ficaram indignados (segundo as palavras da minha mãe). Indignados com o quê????? Eles nem me conhecem direito pra falar ou julgar qualquer coisa!
Mas as lições chegam até nós sempre. Serviu para mim e espero que tenha servido para minha mãe! Eis que ela foi visitar uma sobrinha (uma das sobrinhas perfeitas). E ela voltou de boca aberta! Descobriu que elas se desentendem, que brigam entre si e com os pais, que ficam sem falar uma com a outra... Para mim não foi nenhuma novidade! Não que eu soubesse isso, mas em uma família normal isso é comum. Apenas na família perfeita que minha mãe imaginava é que essas primas minha eram perfeitas! Elas são pessoas normais, legais, lindas, mas sempre normais! Uma família normal. Acontece que minha tia sempre foi esperta e nunca ficou falando mal das filhas ou da família, ao contrário da minha mãe que sempre que possível lamentava da filha que tem. Lamentava de mim, da vida, do trabalho... Já a minha tia quando perguntada sobre as filhas sempre respondia: tudo bem, tudo ótimo! Polpava todos de ficarem sabendo as intrigas e problemas (diga-se bem normais em famílias grandes) em sua família. Minha mãe percebeu isso e eu logo falei que era assim, pois ela não precisava expor sua vida familiar para ninguém e que ela devia fazer o mesmo. Eu espero do fundo do meu coração que ela tenha aprendido a lição e pare de ficar falando mal de mim. Não precisa falar bem, mas então não fale nada!
Acabou que isso também serviu de lição para mim que sempre ficava falando para os outros mal das crianças e nunca falava o que eles fazem de bom. Percebi que estava fazendo o mesmo que minha mãe sempre fez! Resolvi mudar. Elogiar sempre ou não falar nada! Quero minha grama bem verdinha!!!!
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Família Feliz!
Outro dia minhas vizinhas estavam conversando sobre o tempo das baladas e as duas concordaram que foi o melhor tempo da vida delas. Eu curti tbm esse tempo. Não vou dizer que foi por muito tempo, mas curti. Mas aquela não foi nem de longe a melhor época da minha vida... Fiquei pensando e vi que a melhor época da minha vida é hoje, é o que estou vivendo.
Nunca sonhei em ter família. nunca sonhei em casar e ter filhos. Eu sempre quis ter filhos, mas isso não significava que eu casaria para isso! Aconteceu a Luiza. Vi que era isso mesmo que eu queria: filhos. Depois aconteceu o Rafael e logo mais filhos. Perfeito! Fácil? Nunca! Como é dificil conviver com pessoas! Diferenças, opniões, gostos e vontades tudo diferente! Tem horas que é um saco!!!!! Dá vontade de sair correndo pelada na Marginal em plena sexta-feira na hora de pico! Enlouquece mesmo!
Agorinha eu estava fazendo uma receita de requeijão na cozinha. A Luiza tinha acabado de chegar da escola e estava falando mais que o homem da cobra. O Henrique e o Pietro estavam na sala assistindo um DVD da Turma da Mônica. Mas o Pietro estava com uma bolinha da Fisher Price na mão. Uma bolinha dura que tem um bichinho dentro. Ele começou a jogar para cima e acertou a luminária que quebrou!!!! Quando cheguei na sala vi que além da luminária quebrada a parede que foi pintada semana passada estava com marcas de pés (sim, pé na parede!!!). Tive um chilique! Aí escuto minha mãe dizendo que na minha casa tudo quebra e nada dura muito! Lógico! Somos em cinco pessoas sendo que duas são crianças e uma adolescente! Nada dura muito aqui em casa mesmo!
Voltando ao chilique. Quase morri do coração. Coloquei o Pietro de castigo e mandei eles sairem da minha frente! Depois passou! O Pietro já estava querendo dar beijos, pediu "pupá" e começou a aprontar de novo... Agora eles estão brigando por causa de um palito de pirulito que apita! O Henrique trouxe da escola dois e deu para o Pietro um, mas ele estragou e agora quer o do Henrique. Ai-ai... Mas imagino se minha vida fosse sem eles. Nem sei o que eu estaria fazendo agora. Seria vazia. Seria oca. Estaria faltando muita coisa...
Enfim eu escolhi ter uma família, ter filhos, não ter sossego, não dormir um sono pesado nunca mais, não conseguir um minuto de calma, não "ouvir" o silêncio nunca mais... Escolhi também ouvir gargalhas de bebê, ver sorrisos sem dentes e depois nesse sorriso aparecerem dentinhos pequenos e logo esse sorriso vai começar a faltar um ou outro dentinho... Escolhi acordar para amamentar cambaleando de sono, desejando que ele durma a noite toda logo e quando passa a dormir, ir dormir sentindo saudades dele... Escolhi deixar de sair para passear sozinha, escolhi não trabalhar por enquanto. Mas também escolhi ver cada primeiro passo deles, ouvir cada primeira palavra, estar ao lado deles em cada febre, conhecer cada choro estranho, cada cara estranha, ouvir todos os dias eles falando a ponto de pedir para parar de falar só um pouquinho...
Foi tudo isso que escolhi. Se estou perdendo muito eu não sei e para ser bem sincera eu não quero nem saber. O que sei é o que estou ganhando. Estou ganhado coisas que nunca mais vou poder ganhar! Trabalho, passeios, tudo eu posso conseguir depois. Ver meus filhos andando pela primeira vez é só uma vez na vida! Não trocaria um momento desses por nada na minha vida!
O melhor momento da minha vida é hoje! Mesmo depois de ter a luminária quebrada e a parede suja, hoje é o melhor dia da minha vida!
Aqui tem o melhor da minha vida e tudo o quê eu escolhi!

