segunda-feira, 12 de novembro de 2012
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Algumas coisas que não posso esquecer nunca
- Dia 16 pela manhã, eu estava no posto de saúde perto de casa para pegar o número de registro do programa Mãe Paulistana e eu estava tendo as primeiras contrações. Ainda eram levas, mas muito diferente de qualquer coisa que eu já havia sentido. O posto estava cheio. O Pietro estava junto. Uma senhora pergunta pra quanto é e o Rafa responde: "Pra logo! Pra qualquer momento!" Mas acho que ele ainda não tinha se dado conta de verdade que as contrações já era mesmo TP.
- Um pouco mais tarde, no Extra, a cada contração eu tinha que dar uma paradinha. O Rafa estava muito atrasado para o trabalho e em uma das minhas paradinhas ele reclamou que eu estava demorando! Eu falei para ele que eu tinha certeza de que o meu TP estava começando, pois não conseguia andar quando vinha uma contração!
- Em casa as contrações pararam acho que por mais de uma hora! Eu achei que tinha sido um alarme falso e fiquei muito, mas muito chateada mesmo. Até mesmo com raiva!
- As contrações voltaram e fui ao banheiro fazer o número 2. Saiu um pouco do tampão e fiquei tão feliz que parecia que tinha visto ouro!
- Quando a bolsa estourou eu tive certeza de que era TP mesmo!
- As contrações já estavam vindo entre 5 e 7 minutos. Olhei para o fogão e pensei: "Se precisar chamar minha mãe para ficar com as crianças esse fogão precisa estar limpo.". Esperei uma contração na cozinha. quando ela passou eu olhei para o relógio e pensei: "tenho 5 minutos para limpar o fogão!". Antes de terminar de limpar tive outra contração!
- Lembrei que eu precisava colar (com fita dupla face) 3 quadrinhos no quarto das crianças. Entre as contrações eu subi na beirada da cama/berço do Francisco e colei os quadrinhos. Eu pensava: "Acho que sou louca! Em TP e colando quadro!"
- Enquanto esperava as contrações ficarem mais frequentes, regulares e fortes eu sentei para jogar um joguinho no computador, enviar fotos para o orkut, mandar email...
- Antes de ir para o hospital, como estava uma noite agradável, as vizinhas estavam lá fora conversando. Eu estava morrendo de medo de sair de casa e dar de cara com elas, pois eu estava tendo contrações beeeem mais fortes!
- Eu falava "vai passar, vai passar, vai passar... está passando, está passando... Passou!"
- Indo para o hospital eu gritava pra valer dentro do carro, mas entre uma contração e outra eu sentava, abria a janela do carro e brigava para o Rafael ir mais devagar, olhar o farol que estava fechado heheheh
- Antes de descer do carro no hospital eu esperei ter uma contração. Desci e fui andando até a entrada. No meio do caminho eu tive uma contração. Quando cheguei na entrada do hospital, tinha uma mesa e um segurança que já veio barrando a gente (mesmo o Rafa tendo acabado de sair dizendo que estava indo me buscar...). Mas quando eu parei eu tive uma contração. Só falei "Espera!" E fiz aquela cara de dor. O cara deixou eu passar e me ofereceu uma cadeira de rodas! Recusei! Nem pensar em sentar naquele momento!
- Seguindo para o consultório da GO eu tive mais duas contrações. Em uma delas uma senhorinha parou e perguntou para o Rafa: "É dor de parto?" e o Rafa respondeu: "Sim! É hoje!!!"
- Tomando glicose na sala de medicação do PS. Tinha um monte de gente com viroses por lá! Eu me contorcia a cada contração e ouvia: "Nossa! Deve ser prematuro, olha que barriga pequena!" "Ela deve estar com uns 7 meses, coitada!" "Nossa, é uma dor que a gente nunca esquece!" "Esquece sim! Você não teve mais filho depois?" "Ah! Mas eu lembro da dor!"
- Nessa mesma sala, antes do Rafa ficar lá comigo eu falei várias vezes baixinho: "Vai corpitcho! Funciona! Se abre rápido!" Ficava repetindo isso! Pq eu falava "corpitcho", eu não faço ideia!
- A médica tinha falado em me transferir de hospital. aí ela me mandou tomar a glicose e fazer um cardiotoco. Depois que saí da sala da médica acho que meu cérebro apagou um pouco a história da transferência! Eu lembrava, mas não registrava. Sei lá! Quando ela falou que eu ficaria lá mesmo eu nem lembrava mais que eu ia ser transferida!
Acho que é isso! Tem coisas que ficam na memória, mas com o tempo vão sumindo. Quis registrar isso mesmo!
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Questão de parto
Infelizmente a maioria das mulheres que engravidam não querem passar por essa experiência, ou as que desejam não sabem como é o mundo das cesáreas no Brasil e cai no conto do bebê grande, cordão enrolado, placenta velha, mãe nova, mãe velha, mãe míope, unha encravada, chulé crônico, bebê grudado na placenta e por aí vai a lista de absurdos que conseguem inventar para que a mãezinha se sinta convencida de que não pode parir!
Como fugir desses absurdos? SE INFORMANDO! Hoje em dia a internet está aí para isso! Quem sabe usar, tem uma ferramenta de grande poder nas mãos, tanto para divulgar como para informar! Me assusta a quantidade de mães na rede e na blogosfera que não buscam e não se informam. Ficam passivas diante da tela do computador apenas colhendo as informações que chegam através dos outros sem questionar, sem pesquisar, sem buscar!
"tá com cólicas? dá chá!", "acorda de noite? deixa chorando!", "tá com 38 semanas sem dilatação? Não vai dilatar mais!", "a barriga está grande? o bebê não vai passar!" "meu bebê nasceu por cesárea por causa do cordão no pescoço, o seu tbm vai nascer por cesárea!"... E a mãezinha com a melhor das intensões junta toda essa informação que chegou nela e usa! Sem questionar o motivo da amamentação exclusiva (sem chás) até 6 meses, sem questionar ou buscar soluções para não deixar seu bebê chorando, sem dar um google e ver se é possível a mulher dilatar depois das 38 semanas, sem buscar relatos de partos de bebês grandes e sem descobrir que cordão no pescoço é o maior mito que existe e a maior enrolada que o médico inventa para levar mães para a cesárea!
Claro que se você está lendo essa postagem não se enquadra mais nessa descrição de passiva que acabei de dar. Talvez já tenha se enquadrado, assim como eu, que tive TRÊS cesáreas eletivas e me enquadrava muito bem nessa mãezinha que ouve e usa tudo sem saber o que está certo, o que está errado, o que dá para aproveitar e o que dá para jogar fora! Mas mudei! E todas podem mudar!
Enfim o mundo virtual está aí para ser usado com sabedoria! Boas pesquisas, muita paciência lendo os mais de 145786934734784092 resultados que o google apresenta, filtrando tudo o que leu e você descobre muitos blogs e sites com informações fantásticas!
Voltando ao parto e às informações! O blog Parto no Brasil é um desses blogs que trazem informações sobre parto que todas as gestantes, tentantes e futuras mamães deveriam seguir! Doula, episio, lei do acompanhante, parto domiciliar e números assustadores de cesáreas no Brasil são temas que sempre aparecem por lá. Informam, emocionam e divulgam! Adoro esse blog!
E sempre tem sorteios por lá também! Dessa vez o sorteio é do maravilhoso livro Parto com Amor (veja o começo aqui). Acho que toda gestante deveria dar uma olhadinha e ler apenas uma das histórias de amor que conta no livro! Para concorrer ao livro é só ir lá no blog, deixar um comentário com nome e email e ter sorte!
E depois disso, dar um lida em todo o blog com muito carinho!
domingo, 23 de janeiro de 2011
Parto no livro!
Terminei de ler hoje um livro! Eu amo ler e leio muito! Eu gosto de qualquer tipo de história desde que o escritor escreva bem e consiga me prender. Menos livros de autoajuda... Pode ser vampiros apaixonantes, bruxos adolescentes, professores de simbologia ou monstros espaciais, se o escritor for bom, eu leio!
Acabei de ler A Passagem, de Justin Cronin, e confesso que fiquei arrazada quando terminou, pois é uma trilogia e quero saber o que vai acontecer. Acho que a continuação ainda não saiu...
Esse livro é bem ficção: experiências do exército com cobaias humanas infectadas com um virús transforma essas cobaias - presos que estão no corredor da morte - em criaturas assassinas que praticamente acabam com a humanidade. Quase um século depois a população restante tenta encontrar a origem de tudo isso para tentar por um fim nas criaturas e recomeçar a sociedade! Adorei o jeito que ele escreve e li o livro de 815 páginas em 22 dias! Um dos personagens do livro é uma moça grávida. Ela está atravessando os EUA junto com um pessoal e pára em uma fazenda junto com o pai do bebê. Lá ela ai ter o filho sozinha com o marido! Justin Cronin escreve sobre o parto com uma emoção fantástica! Vou transcrever aqui quando a personagem (Mausami) sente o bebê mexer pela primeira vez:
"Mausami estava no escuro, sonhando com pássaros. Acordou com uma palpitação intensa e rápida sob o coração, como um par de asas batendo dentro dela.
O bebê, pensou. O bebê está se mexendo.
A sensação veio de novo - uma nítida pressão aquática, rítmica, como círculo se alargando na superfície de um lago. Como se alguém estivesse batendo em uma janela de vidro dentro dela. Ei, você aí fora! Olá!
Suas mãos traçaram a curva da barriga embaixo da blusa, umida de suor, e ela foi inundada por um sentimento de ternura. Ei, você aí dentro! Olá!"
Achei fantástico! Mas mais do que ela sentindo o bebê mexendo foi o parto! Foram 5 páginas de um parto intenso e lindo! Bom, eu chorei quando terminou! Foi um parto longo, dolorido, com direito a cordão enrolado no pescoço e uma emoção que nunca senti em ficção nenhuma! Vou deixar uns trechos aqui! O ponto de vista é do pai que está ajudando:
"Era primavra e o bebê estava chegando. (...)
Ela havia lhe dito o que fazer, as coisas que precisaria. Lençóis e toalhas para colocar embaixo dela, para o sangue e todo o resto. Uma faca e linha de pesca para o cordão umbilical. Água para limpar o neném e um cobertor para enrolá-lo. (...)
Ela ficou de quatro. Estava usando apenas uma camiseta. Os lençóis estavam encharcados de líquidos, soltando um cheiro quente, doce, como feno recém-cortado. Ele se lembrou do sonho, no campo das ondas douradas de luz do sol.
Outra contração. Mausami gemeu e encostou o rosto no colchão.
- Não fique aí parado!
Theo subiu na cama ao lado dela, posicionando o punho em sua coluna e empurrando com toda a força.
Hora e horas. As contrações continuaram, mais longas e intensas, durante todo o dia. Theo ficou com ela na cama, apertando sua coluna até ficar com as mãos entorpecidas, os braços parecendo de borracha, de tanta fadiga. Mas, comparado ao que estava acontecendo com Mausami, seu pequeno desconforto não era nada. (...)
Imaginou se era assim sempre. Não sabia. Era horrível, interminável, diferente de tudo pelo que já passara. Imaginou se Mausami teria forças para empurrar o bebê quando chegasse a hora. Entre as contrações, ela parecia flutuar em uma espécie de sono. Theo sabia que ela estava focalizando a mente, se preparando para a próxima onda de dor que ela iria atravessar. Tudo o que podia fazer era apertar suas costas, mas isso não parecia ajudar muito. Na verdade, não parecia ajudar em nada. (...)
- Segure. Minhas pernas - disse ela, a voz entrecortada.
- Segurar como?
- Eu vou. Empurrar. Theo.
Ele se posicionou ao pé da cama e pôs as mãos contra os joelhos dela. Quando veio a contração seguinte, ela dobrou a cintura, impulsionando o peso contra ele.
- Ah, meu Deus. Estou vendo.
Ela havia se aberto como uma flor, revelando um disco de pele rosada, molhado e coberto de cabelo preto. Mas no instante seguinte a visão sumiu, as pétalas da flor se fechando novamente, puxando o bebê de volta para dentro.
Ela empurrou com força três, quatro, cinco vezes. Cada vez que empurrava, o bebê surgia, desaparecendo de modo igualmente rápido. Pela primeira vez ele pensou: esse bebê não quer nascer. Ele quer ficar onde está.
- Me ajude, Theo - implorou ela. Toda a força a havia abandonado. - Puxe-o para fora, por favor, apenas puxe-o.
- Você precisa empurrar mais uma vez, Maus.
Ela parecia completamente impotente, à beira de um colápso.
- Está me ouvindo? Você precisa empurrar!
- Não consigo! Não consigo!
Outra contração veio. Ela levantou a cabeça e soltou um grito animal de dor.
- Empurre, Maus, empurre!
Ela empurrou. Enquanto os cabelos do bebê apareciam, Theo se abaixou e enfiou o indicador dentro dela, em seu interior quente e úmido. Sentiu a curvatura de um globo ocular, o volume delicado de um nariz. Não conseguia puxar o bebê, não havia em que segurar, o bebê teria que vir até ele. Recuou e posicionou a mão embaixo dela, encostando o ombro nas pernas de Maus para lhe dar apoio.
- Estamos quase lá! Não pare!
Então, como se o toque de sua mão tivesse despertado nele a vontade de nascer, o rosto do bebê apareceu, escorregando para fora dela. Uma visão de estranheza magnífica, com orelhas, um nariz, uma boca, e olhos inchados como os de um sapo. Theo pôs a mão em concha sob a curva lisa e molhada do crânio do neném. O cordão, um tubo translúcido cheio de sangue, estava enrolado no pescoço dele. Ainda que nunca houvessem dito a ele o que fazer, Theo enfiou um dedo por baixo do cordão, levantando-o gentilmente. Depois colocou a mão dentro de Mausami, posicionou os dedos sob um dos braços do neném e puxou.
O bebê girou e se libertou enchendo as mãos de Theo com o seu corpo quente e escorregadio de pele azulada. Um menino. O bebê era um menino. Ainda não tinha respirado nem feito som algum. Sua chegada ao mundo estava incompleta. Porém Maus havia explicado bem a parte seguinte.
Theo rolou o bebê nas mãos, virando-o para baixo, deitando o corpinho leve em seu antebraço, sua mão sustentando o rosto da criança. Usando os dedos da mão livre, começou a esfregar as costas do filho com um movimento circular. Seu coração martelava no peito, mas ele não sentiu pânico: estava atento, todo o seu ser voltado para essa tarefa. Vamos, dizia Theo. Vamos, respire. Depois de tudo pelo que você passou, isso não pode ser tão difícil. O bebê havia acabado de nascer, mas Theo já se sentia dominado pelo modo como, simplesmente por existir, esse ser pequenino e cinzento em seus braços apagava todos os outros tipos de vida que Theo poderia levar. Vamos, neném. Abra os pulmões e respire.
E então ele respirou. Theo viu o peito minúsculo inflar, com um estalo discernível, e então algo quente e pegajoso em sua mão, como um espirro. O bebê respirou uma segunda vez, enchendo os pulmões, e Theo sentiu a força da vida penetrar na criança. Virou-o, estendendo a mão apra pegar um pedaço de pano. O bebê tinha começado a chorar, não os gritos robustos que ele havia esperado, mas uma espécie de miado. Enxugou o nariz, os lábios e as bochechas do neném. Então o colocou, ainda ligado ao cordão, no colo de Mausami.
O rosto dela estava exausto; as pálpebras pesadas. Nos cantos dos olhos dela ele viu um leque de rugas que não estavam aliapenas um dia antes. Ela conseguiu agradecer com um sorriso fraco. Estava terminado. O bebê havia nascido, o bebê estava finalmente ali.
Ele pôs um cobertor sobre o neném, sobre os dois, sentou-se ao lado deles na cama, e então soltou o choro do peito."
Achei lindo e mais do que isso, a naturalidade com que ele narra o parto foi emocionante! Nada de parto de novela nem de filme!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Querer querer...
Quando estava grávida do Pietro eu queria um parto normal. Mas eu queria muito querer de verdade um parto normal. Na verde eu não estava preparada para enfrentar um parto normal depois de duas cesáreas, eu não estava preparada para as dores do parto, não estava preparada para não saber quando o meu filho ia nascer, não estava preparada para EU fazer ele nascer! Eu queria muito um parto normal, mas eu não queria o pacote completo que vinha com ele.
Lembro que ficava lá no meu íntimo (e isso eu nunca contei para ninguém, nem para o Rafa) torcendo para que uma cesárea fosse realmente necessárea!
Pára tudo! Deixa eu explicar melhor! Não queria que meu bebê ficasse mal ou algo assim. Eu queria que alguém olhasse para mim e falasse: olha, tem pouco líquido, cordão no pescoço, você está com anemia ou qualquer baboseira dessas para que eu fosse para uma cesárea com a cabeça mais leve. Fiz um USG com 36 semanas: bebê cefálico, liquido ok, cordão bem longe do pescocinho, dorso à esquerda. E com 38 semansa e 1 dia nasceu o Pietro por cesárea. Ele estava encaixadinho já... Chorei por muito tempo pensando na minha covardia, na minha falta de coragem. E pensava nas inúmeras conversas que tive com ele quando ele ainda estava na minha barriga. Eu falava que eu queria que ele nascesse de parto normal, pedia para ele ficar cefálico, conversava sobre o parto... Aí depois eu pensava no quanto eu tinha sido fraca, covarde, no quanto eu tinha enganado a mim e ao meu filho antes mesmo dele nascer! Olhava aquele bebezinho tão pequeno e ficava imaginando que daquele tamanico ele já tinha acreditado em mim, pois até encaixado ele estava (o Henrique não encaixou, foi tirado antes).
Cerca de um mês após o parto eu voltei para a lista de parto que eu participava e em meio aos emails solidários que recebi eu recebi um que me deixou FURIOSA. Era da AC e dizia que cada um tem o parto que se acha merecedora. Eu fiquei tão brava! Fiquei pensando no motivo dela ter falado isso sem nem ao menos me conhecer! Mas vamos aos fatos daquela época:
-eu queria ter meu filho no Santa Joana, afinal lá era chique e bonito;
-eu queria me sentir completamente segura e, apesar de eu pensar em PD eu tinha era medo;
-eu tinha vergonha de gritar, medo de sentir dor, medo de ter medo...
Foi um conjunto de fatores que me levaram para a terceira cesárea. E eu não merecia um parto normal. Não quando eu estava procurando um motivo para não tê-lo. Não merecia e não achava que conseguiria. Por isso eu rezava lá no meu íntimo, escondido até mesmo de mim, para que "aparecesse" alguma coisa que justificasse uma cesárea.
Hoje eu li uma mensagem na lista sobre parto de uma moça que estava assustada com o resultado do exame de USG dela: pouco líquido e cordão enrolado no pescoço. Não conheço essa moça para falar se ela quer realemnte um PN ou se quer muito querer. Mas esse tipo de email eu conheço, pois eu mesma cheguei a mandar para a lista e para algumas meninas da lista.
Se fosse comigo hoje, se eu fizesse um exame desse hoje e minha GO viesse falar em cesárea eu ia parir em um hospital público hehehe
Hoje, depois de todas as escolhas que eu fiz para conseguir parir o Francisco eu entendo o que a AC falou para mim há quase 3 anos atrás. Quando decidi ter mais um filho, aquela frase que eu tinha lido martelava na minha cabeça ainda e eu queria me sentir merecedora do meu parto. E assim eu busquei. Assim eu escolhi. Sabendo das minhas fraquesas eu me cerquei para que não caisse no conto da cesárea: fiz pré-natal em hospital público onde o GO não tem o menor interesse em internar a paciente para fazer uma cesárea, já que não é ele quem vai fazer. Falei que só tinha uma cesárea para não ficar ouvindo bobagens sobre o enorme risco que eu corria! E foi assim que eu consegui. E foi assim que eu mereci meu lindo parto natural depois das minhas três cesáreas eletivas.
Entrei em TP com 39 semanas e 4 dias. O bebê estava alto, com dorso à direita. Se tinha muito ou pouco líquido eu não sei, pois o ultimo USG que eu havia feito eu estava de 32 semanas. Se ele tinha cordão no pescoço eu tbm não sabia, mas eu sabia que isso não importava para um PN e isso é que era importante. Eu sabia que podia parir, independente de terem me dito que não seria possível!
E eu pari!
sábado, 27 de novembro de 2010
Amor maior?
Não posso dizer que amo mais o Francisco do que amo a Luiza. A Luiza me mostrou o amor maternal. Lembro como se fosse hoje o sentimento que eu nunca havia experimentado antes toda vez que eu olhava para ela. Foi algo mágico, algo que eu não conseguia explicar, por nunca ter sentido antes. E como eu nunca havia sentido antes eu não entendia e achava tudo maravilhoso! Era tão forte e poderoso aquele sentimento que eu acreditava que jamais poderia sentir aquilo por outro bebê! Como posso dizer que amo mais o Francisco do que a Luiza?
E como posso dizer que amo mais o Francisco do que amo o Henrique? O HEnrique foi meu primeiro menino. Meu tão desejado menino! Eu sempre quis ser mãe de meninos e o Henrique foi o primeiro. Eu sabia assim que fiquei grávida dele que era o meu menino que estava chegando! Quando ele nasceu, aquele amor que eu senti quando a Luiza nasceu foi facilmente reconhecido. Sim, eu era capaz de amar outro bebê! E eu amava meu menino demais!!!!
E como posso dizer que amo mais o Francisco do que o Pietro? O Pietro veio para me ensinar e mostrar um jeito novo de maternar. Me mostrou outros caminhos, me ensinou a ser uma mãe melhor. O Pietro é meu filho passarinho, tão miudinho, magrinho e lindo! Na gravidez dele eu aprendi muito sobre gestação e parto. Depois que ele nasceu eu aprendi muito sobre amamentação, alimentação. Ele me trouxo tudo isso! Ele trouxe meu VBA3C! Como posso dizer que amo mais o Francisco do que o Pietro?
E o Francisco? Amo meu caçulinha lindo! Não amo mais do que amo os outros! Mas alguma coisa mudou, alguma coisa é diferente? Sim. Comparo com um enorme copo de água gelada! Água é água. Precisamos dela e sentimos necessidade de água! Mas um copo de água em um momento qualquer do dia é bem diferente de um copo de água em pleno dezembro escaldante, na 25 de março, no meio daquela muvuca de gente se acotovelando por presentes de Natal. Aquela sede que você sente que a boca chega a ficar seca! Aí você entra em uma lanchonete e fica meia hora só para conseguir comprar uma garrafinha de água que nem gelada está. Aí você abre e toma! E que água mais maravilhosa foi essa que você tomou? Foi uma água deliciosa e você vai saborear cada gotinha dela! E vai ficar feliz e grato por ter conseguido aquela garrafinha, mesmo que não estava gelada!
Meu VBA3C foi tão difícil de conseguir que o sentimento que tenho pelo Francisco é diferente. O Francisco foi meu quarto filho. Água fria! Nada diferente. Aquele amor descomunal que senti pelos outros, aquela emoção ao ver o rostinho dele pela primeira vez, foi tudo igual com os outros filhos. Mas um sentimento diferente ficou. Uma ligação especial. E não foi devido à via de nascimento, não foi o parto normal em si que nos deixou ligados. Acredito que se eu tivesse lutado até o fim e tivesse passado por uma cesárea necessárea, essa ligação, esse vínculo já teria se formado. Olho para ele e sinto uma cumplicidade entre nós. Uma luta, uma batalha que ganhamos juntos. Alguma coisa é maior entre a gente. Certamente não é o amor. E certamente o que fez essa coisa ser maior entre a gente não foi o parto normal, foi a busca por ele. As dificuldades que encontramos, os "nãos", os "... e se...", as dúvidas macabras que nos rondaram durante a gestação toda.
Nossa relação é diferente sim! Não é mais amor. É algo mais! Olho para ele e vejo um lutador, um guerreiro. Muitas crianças nascem de parto normal e um vbac tecnicamente não é mais difícil para o bebê... Mas ele esteve junto comigo nessa luta. Se eu lutei, ele lutou também. Eu pari, mas ele nasceu. E só o fato de termos conseguido juntos um VBA3C já o torna especial para mim!
Não sei dizer o que é. Sei que não é um amor maior. Talvez um dia eu entenda o que é ou talvez um dia esse sentimento passe e fique só o amor. Mas o Francisco é minha garrafinha de água no meu momento de maior sede! Ele é especial para mim!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Depressão pós-parto, EU???
Tive o parto perfeito, o parto que sonhei, o parto mais lindo do mundo!
O Francisco é um bebê lindo, sorridente, não teve cólicas, não tivemos problemas na amamentação, ele nunca passou a noite acordado, sempre dormiu bem, é sossegado!
Mas veio uma tristeza sem fim quando o Francisco estava com uns dois meses. Mas logo eu achava um culpado: Quem pode ser feliz com problemas financeiros? Quem pode ser feliz morando em um apartamento tão pequeno com 4 filhos? Não dá para ser feliz tendo que limpar bandeja de gatos que fazem cocô toda hora! E como ser feliz sendo dona de casa? É por isso que eu estou tão triste!
E além de triste eu estava sem paciência para nada e com ninguém. Mas como ser paciente com 4 filhos? Não dá para ter paciência com um menininho de 2 anos querendo chamar a atenção! Não dá para ser paciente com crises de adolescente! Não dá!
Triste, sem paciência, desanimada! Mas qualquer um ficaria desanimado morando aqui nesse apartamento com 4 filhos e 3 gatos. Qualquer um não teria vontade de fazer nada aqui!
Além de triste, sem paciência, desanimada, eu também estava irritada com tudo, sonolenta e com vontade de sumir! Mas eu achava que tinha uma razão bem lógica e obvia para tudo isso! Afinal minha vida estava muito ruim! Era assim que eu enxergava!
Mudei de cidade, praticamente mudei de vida! Altos e baixos. Dias bons, dias ruins. Mas sempre achando uma justificativa para tudo isso! Lentamente as coisas foram se agravando. Por mim eu ficaria o dia inteiro sentada na cama dando mamá para o Francisco e só! E os outros filhos e marido? Poderiam simplesmente desaparecer de um dia pro outro! Eu conhecia muito bem esses sintomas, mas seria possível? Sim, de novo!
Tive depressão pós parto quando o Henrique nasceu. Todo o primeiro ano de vida dele eu tenho somente uma lembrança embaçada. Não me lembro muita coisa. Lembro dos momentos especiais: quando ele engatinhou, quando andou e poucas outras coisas. Eu tinha um ciúme fora do comum do Henrique e só eu parecia saber cuidar dele direito. Não podia nem pensar em ter mais filhos. Melhorei quando ele tinha 1 ano.
Quando tive o Pietro eu fiquei bem, não tive nada. Tenho lembranças claras do primeiro ano dele, eu me sentia feliz, animada, morria de vontade de ter mais um filho logo.
E aí veio um filho desejado com um parto desejado e lindo. Tudo perfeito! Como eu poderia estar sentindo tudo tão parecido com o que senti quando o Henrique nasceu? Sim, eu estou com depressão pós parto.
Já ouvi que depressão pós parto não existe. Que isso é invenção da mulher. Que é para chamar a atenção... Já ouvi muita bobagem sobre isso. Mas a depressão pós parto existe sim e afeta cada mulher de um jeito diferente. Eu fico assim: triste, implicante, irritada, sem paciência, desanimada, sonolenta, com vontade de me isolar. Não rejeito o bebê. Na verdade fico querendo ele mais perto de mim. Sinto como se o BB fosse o único que não vai me julgar. Dessa vez eu não estou com ciúmes do Francisco, mas é o único filho que quero por perto. É muito triste todos esses sentimentos. Ainda mais para mim que tenho praticamente tudo o que quero. Tenho os filhos que quis ter, tenho minha linda família, tive meu tão desejado e sonhado VBA3C que eu posso dizer com muito orgulho que consegui praticamente sozinha, tenho filhos lindos, saudáveis e felizes. Hoje moro em uma casa enorme e linda. Posso não ter dinheiro, mas isso não é o que mais importa na vida hehehehe Como posso ter esses sentimentos tão horríveis? Como posso deixar esses sentimentos me transformarem tanto?
Assim que reconheci os sintomas e ACEITEI a depressão pós parto eu procurei ajuda. Estou tratando com florais e homeopatia. Comecei o tratamento há pouco tempo, menos de uma semana, e ainda não tenho muitos resultados. Mas sei que vou superar mais essa assim como superei da outra vez.
Tenho dias bons e dias ruins. Tem dias que estou bem, que brinco com as crianças, me divirto, me sinto feliz e animada. Em contrapartida fico dias me sentindo mal. O pior é ter que fingir. Eu não consigo deixar transparecer. Eu não consigo sair de casa e ficar com a cara triste. Costumo estampar meu melhor sorriso e fingir estar bem! Eu acho bem mais fácil uma cara feliz, pois ninguém vem fazer perguntas. Uma cara triste sempre traz a pergunta: “o que você tem?”. E eu não vou me abrir para qualquer um.
A depressão pós parto é assim. Acho que para a maioria das mulheres é meio vergonhosa. Principalmente para aquelas que tem tudo, como eu. Quando a mulher engravidou sem querer, teve um parto ruim, se separou ou está passando por um momento difícil aos olhos da sociedade, fica mais fácil assumir, pois vai ter um culpado. Algo como “Ah! Ela teve depressão pós parto pois engravidou sem desejar” ou “Ela teve depressão pós parto pois acabou de se separar do marido/é mãe solteira/perdeu o emprego assim que voltou da licença...”. Não estou menosprezando esses problemas, mas para a família, amigos e conhecidos fica bem mais fácil entender a depressão pós parto quando tem um problema visível. Mas e quando a vida parece perfeita e você vive a vida que escolheu para si? Aí os comentários são outros: “Isso é o que você escolheu” ou “Você que quis assim” ou “você que quis ter um monte de filhos”... Sim, eu que escolhi tudo isso que eu vivo e sou muito feliz por ter tudo o que sempre sonhei (menos dinheiro hehehe), mas não estou feliz nesse momento. Espero dar a volta por cima e logo lembrar desse período como um sonho ruim ou um pesadelo.
Escrevi esse texto para mostrar que a depressão pós parto não escolhe mulheres tristes. Ela apenas surge em qualquer mulher, forte, fraca, feliz ou triste, que estejam passando por momentos difíceis na vida ou que estejam vivendo a vida que pediram à Deus, que tenham passado por coisas tristes ou que tenham passado pelos momentos mais gloriosos da sua vida! Ela simplesmente vem e o que temos que fazer é reconhecer, assumir e tratar!
E vida nova depois disso é o que espero!
terça-feira, 24 de agosto de 2010
O trabalho de parto
Sim, ainda esse assunto!!! Acho que esse assunto para sempre seria pouco para mim!
Quase 3 meses depois do dia P eu resolvi tirar uma foto da página da minha agenda onde anotei as contrações. Não tirei foto do TP ou do parto. Fico com um pouco de pena de não ter fotos desse momento tão maravilhoso da minha vida, mas eu nem pensei nisso. Estava focada em conseguir e só! A única foto que bati durante meu TP foi uma foto do Pietro hehehe Então são poucos registros que tenho e por isso fiz questão de guardar a página da agenda.
No alto eu anotei a hora que a bolsa rompeu: 14:40. Eu estava com contrações espaçadas vindo a cada 5, 8, 7 minutos... Estavam doloridas, mas era uma dorzinha boa ainda! De repente ploct e não saiu água nenhuma! Depois veio a enxurrada e a certeza de que meu filho estava chegando no momento que ele escolheu!
Comecei a anotar as contrações quando elas começaram a ficar bem doloridas e com uma duração maior, chegando quase a um minuto. 15:11 foi a primeira que marquei. Eu estava na sala, sentada à mesa mexendo na internet. Postei no blog Diário de Grávida, coloquei fotos no orkut, troquei emails, joguei uns joguinhos... Estavam suportáveis e eu estava feliz demais!!!
17:12 tive uma contração e fui para o chuveiro. As contrações começaram a ficar doloridas. Perdi a noção de tempo e achei que tivesse ficado só um pouquinho, mas depois eu marquei uma contração só as 17:56. Já estavam bem doloridas mesmo, mas bem suportáveis!
As 18:32 foi a primeira contração que o Rafa anotou depois que ele chegou. Nessa altura eu já não conseguia anotar a hora mais. Porém eu não sentia necessidade de gritar e nem consegiua fazer isso. Em algum momento depois disso eu resolvi ir para o chuveiro de novo. Lá eu comecei a falar "ai, ai, ai...". Começou a doer de verdade (pelo menos até aquele momento). Saí do banho as 19:35 e marquei um T, indicando que a dor era tanta que eu estava com tremor.
19:50 eu fui comer pizza. Tive essa contração e me apressei em comer antes de ter outra. Demorou 8 minutos para vir e quem anotou foi a Luiza. Ela tbm anotou algumas outras. Depois da pizza eu resolvi que queria ir para o hospital, mas não sabia se ia ou se ficava. Fui trocar de roupa, experimentei deitar de lado (terrível demais), agachar, ficar em pé, ficar de 4 e a melhor posição naquele momento era ficar de joelhos a abraçar o encosto da poltrona!!!
A última contração as 21:06 foi anotada pela Luiza. Depois dessa eu tive muitas outras em casa. Saimos de casa as 21:30.
Meu TP foi um momento muito importante na minha vida. Acho que posso classificar minha vida por antes do tp e depois do tp. O trabalho de parto foi me transformando aos poucos junto com cada contração. Cada dor jogava no meu corpo sentimentos novos, acordava partes adormecidas e esquecidas, fazia nascer outras que eu nem sequer sonhava que podiam estar lá comigo. Cada grito que dei fez acordar em mim uma mulher forte e gigante. Cada minuto que passou valeu por anos de aprendizado e conhecimento. Cada gota que saia de mim me fez conciente de cada parte do meu corpo e de todo o processo que ele estava passando.
Tudo foi mágico!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
O que é um parto normal depois de TRÊS cesáreas?
A alegria era tanta por termos lutado e vencido essa batalha que não faltava vontade de anunciar para o mundo. E assim o fizemos. O Rafa passou a falar para todos que eu tinha tido um parto normal depois de três cesáreas. E eu comecei a perceber o que isso significava para as pessoas que ouviam isso:
- Para minha mãe foi a prova de que sou teimosa o bastante para conseguir o que eu quero sempre. E ela não está errada! Mas ela nem imagina o quanto teimosa eu sou!!!
- Para minha sogra eu sou uma doida que podia ter tido uma cesárea sem dor e fui inventar de ter um PN para sofrer! E imagina que "não deram nem um pic para ajudar a nascer" e que eu achei isso melhor!!!! hehehe
- Para os conhecidos da igreja isso não foi absolutamente nada, afinal a grande maioria das muheres de lá tiveram todos os seus bebês por PN nos hospitais públicos da região!
- Para minhas vizinhas eu fui louca em não ter ido para o hospital do convênio e pedido para tirarem o bebê! Foi bem feito pra mim, pois eu tinha convênio e não quis usar. Além de ser considerada uma louca por dizer que amou o PN!
- Para uma tia minha eu pude responder à sua pergunta: "É igual nas novelas? Tem que fazer muita força e dói muito?".
- Para uma amiga foi uma surpresa quando respondi que tinha sido normal depois dela perguntar sobre a dor no corte, afinal o médico dela disse que seria impossível um parto normal depois de duas cesáreas, quem dirá depois de três!
- Para a pediatra não foi nada, pois não quis entrar em detalhes e ela acha que tive os outros por PN tbm heeheh
- Para algumas mulheres das listas que participo e que acompanharam os acontecimentos foi uma vitória para mim!
- Para minha filha foi a prova de que a mãe é teimosa e que conseguiu o que queria e foi também a certeza de que será a melhor forma dela ter os filhos dela!
- Para o Pietro foi assim: "Nenê atcheu e não itagou baigá mamãe" (Nenê nasceu e não estragou a barriga da mamãe). Não sei de onde ele tirou isso!!!
- Para meu marido... Bem, estou esperando saber o que foi exatamente para ele. O relato dele está pronto, são 7 páginas escritas à mão e estou esperando ele passar para o word...
- Para mim foi TUDO. Foi a realização de um sonho, foi minha realização como mãe, como mulher, como dona do meu corpo e do meu nariz. Foi a prova de que quando se quer muito uma coisa o mundo conspira para que aconteça. Foi o meu crescimento como pessoa, foi o encontro com minha força que eu nem sabia que existia. Foi a minha explosão! A explosão da bomba relógio ambulante que eu era aos olhos de muitas pessoas que eu fui atrás para procurar ajuda! Sim, essa bomba explodiu! Explodiu em ocitocina, explodiu em vida, em gritos misturados ao choro de alegria e de uma nova vida!
O que é um parto normal depois de TRÊS cesáreas?
É a explosão da bomba relógio!
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Laços e parto
Tive 3 filhos por cesárea sem nunca ter entrado em TP antes. Com toda certeza eles nasceram antes do que deveriam ter nascido. Seja um dia antes ou duas semanas antes, mas nasceram. De qualquer forma um processo foi interrompido. Amo meus filhos nascidos por cesárea igualmente amo o Francisco. Isso independe o tipo de parto, a escolha que foi feita (se foi eletiva ou necessárea), se queria normal e fizeram cesárea ou se queria cesárea mas nasceu normal: uma mãe vai amar o filho igualmente sempre! Ela nunca vai ser mais ou menos mãe por causa do tipo de parto. O que vai fazer dela uma mãe "mais mãe" é a relação que ela tem com seu filho e só isso!
Mas enfim, voltando ao assunto, eu sempre fui muito mãe dos meus bebês. Na primeira filha eu que fiz questão de fazer TUDO desde o começo: primeiro banho, amamentar, acordar de noite. Isso com 18 anos e sozinha, sem marido ou namorado. Sempre quis escolher o melhor para ela, tentar entender o que ela estava sentindo, tentar fazer o que eu achava certo (mas acabei ouvindo muito palpite - assunto para outra postagem hehehe). No segundo filho eu fiz como com a primeira com a diferença que ouvi menos palpites hehehe. Mas nossa relação foi bem parecida. Com o terceiro filho eu já não ouvi palpite nenhum e nossa relação foi muito parecida com a relação que tive com os outros: compreenção, amor e tentar fazer o melhor por eles.
Aí veio o Francisco: um parto normal, natural, assumindo as escolhas que nós fizemos. Um parto onde eu precisei trabalhar junto com meu filho e ele junto comigo. Ele não foi simplesmente tirado de dentro de mim com hora marcada, sem dar sinais de que queria ou precisava sair. Ele e eu trabalhamos para isso por muitas horas. Durante todo esse trabalho eu fui mudando e ele foi chegando. Eu fui me abrindo para ele e ele foi pedindo passagem para o mundo. Enquanto meu corpo trabalhava para ele sair, o corpinho dele trabalhava para ele chegar a esse mundão!
E ele chegou. Ele se esticou todinho dentro de mim, empurrou junto comigo e nasceu. O processo se completou. Do inicio ao fim. Do dia em que ele se "instalou" aqui dentro, que foi o dia que ele escolheu, ao dia que ele saiu de dentro de mim por sua própria vontade também. Durante esses meses, semanas, que ele ficou dentro de mim nós fomos criando laços invisíveis que não vão se desfazerem nunca. Esses laços também foram criados nas gestações anteriores, mas acredito que faltou algum. Acredito que na hora do parto do Francisco mais um laço se criou, mais uma conexão foi criada, um processo completo que chegou ao fim sozinho, sem a imposição de ninguém.
Repito que em termos de amar um filho, não sinto diferença nenhuma de amor entre eles!!! O que sinto na verde é uma ligação diferente com o Francisco, um conexão além do que eu consigo compreender. Acredito que isso se deve ao processo todo de concepção, gestação e nascimento que se completou. Ao contrário da cesárea eletiva ou da cesárea enganativa, quando esse processo é interrompido antes mesmo de a mulher entrar em trabalho de parto. Posso estar falando bobagem, mas é assim que enxergo tudo isso.
Hoje acredito que a mulher precisa entrar em trabalho de parto, precisa passar pela transformação do seu corpo, precisa sentir que seu bebê quer nascer e que ele está trabalhando para isso. E se por uma acaso ela precisar de uma cesárea realmente necessárea esse processo já se iniciou e esse último laço já foi criado. Hoje lamento profundamente ter marcado o dia do nascimento da Luiza, pois sei que se não o tivesse feito eu não teria tido 3 cesáreas. Porém foi graças a esses três nascimentos que pude compreender, aprender e entender toda a beleza e mágica de parir um filho e tudo o que isso trás depois do parto!
Para finalizar, deixo um exemplo de conectividade com meu pequeno que nunca tive com nenhum outro filho.
Amamentei todos os meus filhos, uns mais, outros menos e dois ainda mamam. Sempre em livre demanda todos. Quem amamenta em livre demanda sabe que não tem hora para dar de mamar. O Francisco nunca teve hora para mamar, nem mesmo criou um intervalo regular para isso. Tem hora que mama agora e pede novamente depois de meia hora. As vezes mama e vai pedir de novo dali 3 horas. Acontece que quando ele quer mamar ele começa a se agitar, depois começa a dar pequenas resmungadinhas reclamando e só se não foi atendido é que ele começa a chorar. Aí vem o inexplicável! Algumas poucas vezes ele fica longe do alcance da minha visão, como por exemplo pela manhã quando ele está no quarto e eu estou preparando o Henrique para ir à escola, ou quando estou lavando louça e ele está dormindo na sala. Nessas poucas vezes em que isso acontece e ele quer mamar eu sinto o meu peito encher de leite e só depois escuto o choro dele! Lembrando que ele só chora depois de se agitar e de resmungar! E lembrando que eu não ouvi ou vi isso! E que ele não tem hora para mamar!
Com meus outros filhos meu leite descia simplesmente com o chorinho de fome ou só no inicio da mamada. Com o Francisco existe algo ligado entre nós, algum laço invisível, uma conexão que eu não sei explicar. Mesmo não estando perto e não ouvindo, eu sei que ele quer mamar! E esse é só um exemplo que eu acho lindo de sentir!
terça-feira, 18 de maio de 2010
"Vamos fugir deste lugar Baby"
Nessa hora eu fiquei meio perdida. Não sabia o que pensar. A médica pediu um cardiotoco e falou que iria me transferir por falta de vaga. Mas antes do cardiotoco eu iria tomar glicose para o exame não dar alterado. Enquanto eu tomava a glicose o Rafa perguntou se eu queria ficar lá nesse hospital mesmo e eu disse que sim. Era impossível pensar em ir para outro lugar naquela hora.
Na hora do cardiotoco eu considero que fiz minha vizita à Partolândia. Eu imaginava coisas sem sentido algum, coisas absurdas! Dentre as coisas absurdas que imaginei está eu fugindo do hospital. Sério mesmo! Eu imaginei fugir do hospital. Ficava me vendo saindo correndo pelos corredores com meu vestido esvoaçando... Imaginei se eu acharia a saída de lá, já que eu tinha entrado junto com o Rafa e não tinha prestado atenção no caminho. Imaginei se o Rafa conseguiria me acompanhar. Imaginei se algum segurança ou enfermeira iria tentar me segurar.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Ainda bem que eu só delirava assim durante as contrações e depois eu desisti. Nessa hora eu estava com muito medo do tamanho da dor, da força da contração. Foi uma loucura hehehe Ainda bem que não fugi. Fiquei e pari!
Obs.: Acho que vou postar muitos detalhes do TP e do parto por aqui. São coisinhas que vou lembrando, coisas que não quis contar no relato de parto para não ficar maior do que já ficou, mas são coisas que eu gostaria de deixar registrado!
Obs2: Depois do toque em que eu estava com 1 centímetro demorou 7 horas para o Francisco nascer!!!!!!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Dando a notícia
Fiquei tão orgulhosa em anunciar meu parto normal!
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Francisco.

Francisco chegou dia 17 de abril! No blog Diário de Grávida eu conto como foi o nascimento dele, um parto normal depois de 3 cesáreas!
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Desejos sinceros, vontades loucas
Mais dois filhos estão nos meus planos! Sim, dois! Mas pq 2 e não só mais um? Não sei, só sei que são mais dois!!! Talvez tenha por aí dois anjinhos querendo uma mamãe maluca que surta de vez enquando!!! Eu ainda não consegui me desfazer de nada que o Pietro usou. Tenho certeza que usarei de novo! Quero mais um bebê! Quero mais um filhos maiorzinho. Nesses meus planos estão mais uma gravidez e uma adoção. Pq dessa forma? Não sei, só sei que é assim! Não sei se será nessa ordem, mas sei que vão acontecer.
O desejo da gravidez veio como uma tsunami quando o Pietro estava com um mês!!!! Achei pura loucura da minha cabeça, achei que passaria. Mas não passou. O desejo aumentou e junto com ele a certeza tbm! O desejo da adoção sempre existiu, estava só esperando o momento. O momento chegou. O processo é lento. Não quero um bebê. Quero até 5 anos. Mas sei que pode demorar. Sinto que meu filho(a) está me esperando. Não tenho nenhuma expectativa em relação a ele(a). Não sei que ele(a) me espera em forma de bebê, criança ou ainda me espera lá junto do Papai do Céu (sei que pelo menos um me espera com Ele). É um desejo que chega a doer de urgência! Por vezes sinto que é loucura. Deixo pra lá os papéis que pegamos no Fórum. Esqueço que preciso ir pegar nova certidão de casamento... Mas quando me lembro chega a doer. Minha sogra fala de um amor que dói! Eu sinto um desejo que dói!!!! Acho que ela entenderia o que sinto (mas acho que me acharia doida ainda assim hehe).
E sobre a gravidez!!!! Ah! Assim que comecei a pensar nisso (quando o Pietro tinha 1 mês), eu pensava em cesárea marcada. Acho que devido à minha frustração com a minha última cesárea. Independente do que pensam ou do que o mundo fale eu não quero outra cesárea! Vou achar um doido(a) que faça o meu parto normal. Também não quero ficar esperando anos para ter outro filho. Quando ele(a) chegar aqui dentro de mim eu ei de achar o tal doido(a) (no bom sentido, gente! doido pq o mundo os chamam assim hehehehe). Onde se tem a vontade se tem o caminho. Eu tenho a vontade e a certeza e dessa vez isso aconteceu antes de eu ficar grávida (só para lembrar, o meu desejo de um PN veio lá pelo quarto, quase quinto mês de gestação do Pietro). Agora com a cabeça feita e sabendo direitinho o que quero fica mais fácil!!!
Fico horas pensando nisso (já falei que esse desejo dói! é praticamente obsessão) e fico pensando que minha primeira cesárea tem 11 anos!!!! Faz muito tempo! Se for pensar em recuperação do corpo... A segunda tem 5 anos!!! Será que meu corpo não funcionaria como se só tivesse 2 cesáreas? São só pensamentos, nada ciêntifico ou que eu realmente acredito. Mas eu vou feliz para uma cesárea se os doidos (e irei buscar todos os que eu conheço) virarem para mim e falarem que nem poderei tentar um PN, porém acho essa possíbilidade muito difícil pq um deles vai acabar topando! Aí eu aceito. Caso contrário eu vou até o final!
Ai-ai!!! Chega de loucuras por hoje! Mas que fique bem claro que loucura ou não eu quero e desejo isso tudo!!!!
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
eu e minha cesárea!
Me lembro do irmão Fernando falando que devemos olhar tudo com olhos espirituais. Se o carro bateu e deu perda total em vez de pensarmos: "Que droga, nem sobrou carro!", devemos pensar:"Que bom! estou vivo!". Se eu for olhar dessa perpectiva pode ter sido bom, não era pra ser do jeito que eu queria! Acho que é sempre bom pensar assim! Está vazando? Que bom, podia ser pior!
Mas deixando pra enxergar só o lado bom de tudo prefiro ficar olhando meu pequeno. Lindo! É um anjinho, mas quase toda noite tenho vontade de chorar, isso quando não deixo a vontade pra lá e choro mesmo!!! Ele dorme o tempo todo, mas das 22h até a 1h da manhã ele permanece acordado! Ontem minha mãe falou "Ainda bem que é das 22 a 1h, já pensou se fosse da 1 as 4h?". Sabe que ontem de noite eu nem liguei de ficar com ele? Ir dormir a 1h até que não é tão ruim, ruim mesmo é não dormir hehehehe!
O pietro mama que é uma maravilha! E eu tenho leite que é uma beleza! Adoro isso!
Estou cansanda, com sono, mas estou feliz!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Felicidade e frustração
O mais legal desse dia foi que o Henrique andou na cabine do metrô! Do Jabaquara até São Judas! A carinha dele fez valer o meu dia! Desci na São Judas pra encontrar o Rafael. Ele não estava! Achei que já tivesse ido... Fui embora. Fiz baldiação, desci na estação próxima ao consultório com uma hora de atraso! Liguei e não dava mais pra ser atendida! Remarquei.
Voltei chorando e sozinha! Eu sabia e alguma coisa me dizia que não daria mais tempo! Que tudo acabaria igualzinho os outros partos.
E não deu tempo mesmo! Sem nenhuma consulta com a parteira o Pietro nasceu de cesárea no hospital no dia 22!
Nasceu de manhã, levantei de tarde, passei mal, tomei banho sentada no vaso com três aux. enf. me ajudando. Minha sonda foi tirada as 23:30! Levantei sozinha de madrugada pra ir ao banheiro e passei mal sozinha! Tinha medicação no soro pro útero contrair. Doia demais. Passei o Natal sentada, cheia de dor, com a barriga inchada e andando curvada! Peguei a gripe do meu filho e não podia tossir. Tive uma dor lombar que não conseguia ficar sentada nem em pé!
Mas agora estou bem! Levando em conta que nem ponto vou precisar tirar... Já ando pra lá e pra cá! Já posso tossir, dar risada! Até que me recuperei bem dessa vez! Tomei Tramal só nos primeiros seis dias!
é um misto de felicidade e frustração! O Pietro estava encaixadinho pro parto! Sim, encaixado na bacia (como diz a linguagem popular...) Tiraram ele do meio do caminho. Eu conversei tanto com ele pedindo pra ele encaixar logo, antes do TP! Eu queria que ele encaixasse antes pra que eu não tivesse horas de expulsivo com o bebê alto! E ele me obedeceu! Lá estava ele encaixadinho... na hora da cesárea...
Meu bebê é lindo!
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Falta pouco!!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Mais uma vez: o meu parto!
MEU FILHO VAI NASCER AQUI NA MINHA CASA! É isso o que eu quero! Nunca tive tanta certeza disso! Nem vou arrumar minha mala pro hospital!
Contei pro Henrique assim como quem não quer nada:
- Filho, o Pietro vai nascer em casa!
- Oba! Aí ele vai nascer e vai estar no sofá! Aí eu vou chamar o papai e falar "põe o Pietro no meu colo! E põe um DVD pra gente assisti.". Aí eu vou dar um beijinho no rostinho dele! Mamãe, não pode beijar na boquinha, né?!
Já pensou que lindo! O Henrique espera tanto o nascimente desse bebê que parece que deseja ele até mais do que eu! E ele estava tão preocupado com o fato de eu ter que ficar 2 dias no hospital! Ele queria pq queria que o bebê nascesse e já fosse pra casa! Agora nem vamos sair de casa!
Estou muito feliz e minha vontade é compartilhar com o mundo essa felicidade! É uma pena não poder contar pras pessoas mais próximas como a minha mãe! Ela nunca aceitaria!
Feliz-feliz!
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Espelho meu

chorando? Pessoas egoistas e que acham que sempre estão certas...sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Eu e meu parto que eu quero que seja PD!
