domingo, 3 de outubro de 2010

"Voar é para pássaros" - Pica-pau

Já disse uma vez o Pica-pau, enquanto voava atrás de gansos carregando uma malinha no bico que voar era para os pássaros. Concordo!
Me diz onde Santos Dumont estava com a cabeça quando pensou em botar uma coisa tão grande no céu. Relógio de pulso vai lá, mas avião??? É muito grande, muito pesado, muito barulhento...
Não era bem isso que eu pensava sobre aviões. Antes de vir para Bahia eu tinha viajado de avião duas vezes, uma com 5 anos e outra com 10 anos. Não me lembrava das sensações, nem de nada. Confesso que não era uma coisa que me facinava viajar de avião, mas tbm não fedia nem cheirava, tipo tanto faz...
E aí aconteceu! Entrei no avião com a Luiza, o Henrique, o Pietro e o Francisco. Esse último no sling, bem nem aí para o mundo. O Henrique quicava no seu lugar e o Pietro, depois e sentar no seu lugar continuou pedindo para ir no avião! Tá certo Pi, avião tem cara de ônibus de viagem... E então ele começa a andar e tem aquelas intruções no mínimo macabras sobre o que fazer em emergências. Ai, emergências? Se estivesse no meu carro e algo acontecesse eu desceria e esperaria o guincho, mas despressurização, assento que bóia, meu Deus! Pode cair no mar? Socorro! Pára que eu quero descer!!!!
Enfim ele entra na fila para subir! E começa a andar, depois correr e correr e correr. E quando corre treme pra chuchu. E aí ele começa a inclinar! Opa, saiu do chão! Mas não devia parar de tremer? E sobe tremendo e parece que tem um tijolo na minha cabeça me apertando para baixo. Ai, voar é para pássaros!!!!
Não sei o que houve com ela, mas a Luiza falava mais que a boca! E aí ela fala: "ai, detesto quando ele começa a deixar o avião reto depois de subir." E em seguida o avião começa a ficar "reto". O tijolo sumiu da minha cabeça mas em compensação parece que estamos caindoooooooo. Gente, isso não pode ser uma coisa natural! Ok! A luz do cinto se apaga. Eu solto o Pietro para ele poder olhar na janelinha, mas eu simplesmente não consigo tirar meu cinto. Resolvo que vou tentar, pois queria tentar descontrair. Tiro meu cinto e praticamente me arrasto para o banco do meio. Meus pés estão pesados e não consigo movê-los direito. Minha mãos estão frias e imagino que meu rosto devia estampar o medo! Que absurdooooo!
De repente o avião treme! Turbulência! A luz do cinto acende e eu prendo o Pietro. A Luiza olha com pânico para mim: "Mãe, pq a luz do cinto acendeu?" Minha voz sai falhada: "por causa da turbulência", mas eu tento agir como se tudo fosse a coisa mais normal desse mundo, como se eu não estivesse morrendo de medo hahaha
Hora do lanchinho. Bolinho de chocolate e uma pacotinho de bolhachinhas salgadas. Refri e suco. Para as crianças uma festa! Eu estava com o estômago cheio (de borboletas) e mal consegui tomar meu refri. As crianças se entupiram e eu olhando o relógio para ver se estava perto da hora daquela tortura terminar! O comandate resolve nos informar que estávamos sobre Belo Horizonte em altura (35 mil pés) e velocidade de cruzeiro. Precisava disso mesmo? Pra quê me lembrar que estávamos tão alto??? No acento da frente da Luiza alguém da equipe do Santos FC estava sentado. Comecei tentar observar as pessoas! Como elas agiam com naturalidade, como se voar fosse algo tão normal e comum! Peguei uma revista, tentei me distrair, mas eu estava muito tensa! De repente aquela sensação de queda novamente e a Luiza anuncia que detesta quando o avião faz isso na descida! Pela hora nós estávamos chegando mesmo. O avião parecia que caia e depois subia, caia e depois subia. Eu não contava com esse passeio na montanha russa. A carinha do Francisco era muito engraçadinha. A cada "queda" do avião ele arregalava os olhinhos assustados, mas tão fofo! E de repente curvas e mais curvas. E curvas sobre o mar. E aí, nesse momento acho que foi o único que o meu medo passou! A lembrança da minha ultima viagem de avião e da chegada à Salvador me encheram de alegria! Tá, ainda estava um pouco assustada! Mas aquele mar imenso lá embaixo, aquele céu azul e a visão de Salvador foi o momento mais lindo (acho que o único) da viagem toda! E o avião descia e eu estava sem medo de olhar pela janelinha (boa parte da viagem ela ficou fechada...). E aí o aeroporto e o medo tomou conta de mim! Pista, pista, pista e ele não vai encostar no chão??? Encostou... Mas ele não vai parar??? Eu só relaxei quando a velocidade diminuiu e ele ficou só devagar pela pista. Relaxei tanto que eu poderia encostar e dormir... Levantei meio cambaleante, saí do avião e fiquei tremendo por algum tempo ainda. Não sei se da tensão que passei ou se de fome...
Alguns dias depois uma reportagem na TV fala sobre o medo de avião. E uma coisa me chamou a atenção. Uma psicóloga especialista nesse medo falou que pode ser um medo transitório. Um medo que surge em algum momento da vida por alguma razão e depois some. Uma das razões que ela citou se encaixava direitinho naquele momento da minha vida. ela falou que algumas pessoas desenvolvem esse medo em momentos de mudanças na vida, seja mudança de casa, de trabalho, de carreira. Eu estava de mudança.
Espero ter sido essa a razão de todo o meu pânico. Espero poder voar sem medo. Espero ter que voar novamente daqui há muito tempo, afinal voar é para pássaros.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O trabalho de parto



Sim, ainda esse assunto!!! Acho que esse assunto para sempre seria pouco para mim!

Quase 3 meses depois do dia P eu resolvi tirar uma foto da página da minha agenda onde anotei as contrações. Não tirei foto do TP ou do parto. Fico com um pouco de pena de não ter fotos desse momento tão maravilhoso da minha vida, mas eu nem pensei nisso. Estava focada em conseguir e só! A única foto que bati durante meu TP foi uma foto do Pietro hehehe Então são poucos registros que tenho e por isso fiz questão de guardar a página da agenda.

No alto eu anotei a hora que a bolsa rompeu: 14:40. Eu estava com contrações espaçadas vindo a cada 5, 8, 7 minutos... Estavam doloridas, mas era uma dorzinha boa ainda! De repente ploct e não saiu água nenhuma! Depois veio a enxurrada e a certeza de que meu filho estava chegando no momento que ele escolheu!

Comecei a anotar as contrações quando elas começaram a ficar bem doloridas e com uma duração maior, chegando quase a um minuto. 15:11 foi a primeira que marquei. Eu estava na sala, sentada à mesa mexendo na internet. Postei no blog Diário de Grávida, coloquei fotos no orkut, troquei emails, joguei uns joguinhos... Estavam suportáveis e eu estava feliz demais!!!

17:12 tive uma contração e fui para o chuveiro. As contrações começaram a ficar doloridas. Perdi a noção de tempo e achei que tivesse ficado só um pouquinho, mas depois eu marquei uma contração só as 17:56. Já estavam bem doloridas mesmo, mas bem suportáveis!

As 18:32 foi a primeira contração que o Rafa anotou depois que ele chegou. Nessa altura eu já não conseguia anotar a hora mais. Porém eu não sentia necessidade de gritar e nem consegiua fazer isso. Em algum momento depois disso eu resolvi ir para o chuveiro de novo. Lá eu comecei a falar "ai, ai, ai...". Começou a doer de verdade (pelo menos até aquele momento). Saí do banho as 19:35 e marquei um T, indicando que a dor era tanta que eu estava com tremor.

19:50 eu fui comer pizza. Tive essa contração e me apressei em comer antes de ter outra. Demorou 8 minutos para vir e quem anotou foi a Luiza. Ela tbm anotou algumas outras. Depois da pizza eu resolvi que queria ir para o hospital, mas não sabia se ia ou se ficava. Fui trocar de roupa, experimentei deitar de lado (terrível demais), agachar, ficar em pé, ficar de 4 e a melhor posição naquele momento era ficar de joelhos a abraçar o encosto da poltrona!!!

A última contração as 21:06 foi anotada pela Luiza. Depois dessa eu tive muitas outras em casa. Saimos de casa as 21:30.

Meu TP foi um momento muito importante na minha vida. Acho que posso classificar minha vida por antes do tp e depois do tp. O trabalho de parto foi me transformando aos poucos junto com cada contração. Cada dor jogava no meu corpo sentimentos novos, acordava partes adormecidas e esquecidas, fazia nascer outras que eu nem sequer sonhava que podiam estar lá comigo. Cada grito que dei fez acordar em mim uma mulher forte e gigante. Cada minuto que passou valeu por anos de aprendizado e conhecimento. Cada gota que saia de mim me fez conciente de cada parte do meu corpo e de todo o processo que ele estava passando.

Tudo foi mágico!

domingo, 4 de julho de 2010

Mundo virtual

Nesse mundo de internet tem muita coisa estranha, esquisita e principalmente gente louca. Acho que a correria e a solidão dos dias de hoje faz com que as pessoas mudem seus valores e passem a fazer coisas que me dão medo mesmo.
Sempre prezei pela união da família: pai, mãe e filhos sempre juntos. Lógico que seria incapaz de ficar com um homem que não amo ou que não nos respeite só para manter a família junta. Mas esse não é o caso da minha família! Nos amamos, pensamos muito em nós e gostamos de estar juntos sempre. Valorizo cada momento com meus filhos, pois sei que no futuro isso fará toda a diferença na vida deles. Estar presente sempre na vida dos filhos faz com que eles tenham uma referência importante, tenham um porto seguro para atracar quando no futuro sentirem necessidade. E não estou falando só por mim, mas pelo meu marido tbm. Nos dias de hoje é muito comum não ter pai em casa (eu não tive e meu marido tbm não!!!). Valorizamos muito nossa família completa. Isso é uma coisa que eu acredito muito. Eu fico 24 horas com meus filhos. Minha mãe não podia ficar todo esse tempo comigo, pois trabalhava, mas nunca me abandonou, nunca me largou durante a semana na casa de parente e só me via de vez enquando. Ela sempre me buscava no fim do dia e ficava comigo mesmo que por poucas horas, pois logo eu ia dormir. Mas ela tbm estava presente. Enfim, acredito que família deve estar junto sempre: pai, mãe e filhos, ou mãe e filhos, ou pai e filhos, seja qual for o modelo de família que esteja em questão.
Agora nós vamos mudar de São Paulo. Vamos para a Bahia. Escrevi um email pedindo ajuda para encaminhar meus gatinhos para alguém que goste mesmo. Olha só o que escreveram para mim:
"nem eu tendo que me matar de trabalhar (em 2 empregos) pra pagar mais de 2000 de ração e mais 1.500 para empregados pra cuidar deles enquanto trabalho. De todos os problemas q sempre tive, de passar sufoco com eles comendo ração barata, de eu comer pão a 1 real o dia inteiro pra não faltar a ração deles, de ter que deixar minha filha morar com a avó durante a semana pra poder ter a vida que tenho trabalhando 12h por dia pra sustentar a todos, e eu nunca fui uma mãe de querer ficar longe do filho ou não ter trabalho com ele..."
PARA TUDO! 2000 de ração e 1500 em funcionários para cuidar dos gatinhos, mas a filha fica com a avó... Não que os gatos não mereçam carinho, cuidado e amor, mas essa filha morando com a avó e não com a mãe para a mãe trabalhar em dois empregos para manter o padrão dos gatos pode? Quem é a mãe? Essa criança não pediu para nascer mas a mãe optou por pegar os gatos e largar a menina! Ai, me descupe, mas não entendo isso....
Outro email:
"se é por conta do trabalho do SEU MARIDO (não é o seu, certo?) então ele que vá na frente, trabalhe, arrume uma casa e você fica aí, cuida dos teus filhos, da tua mãe e dos teu gatos e quando tiver uma casa pra vocês, vocês vão ficar todos JUNTOS de novo. Solução tem, basta querer resolver.
Ah!!!... mas e ficar sem o marido? aí não pode né? mas os gatos que se danem! (pra ser educadinha!!!)"
Não querida! Ficar sem o marido não pode mesmo! Ele é meu marido, meu companheiro, o pai dos meus filhos, o homem que eu escolhi para ficar comigo... Ficar sem ele não pode! Já vamos ficar longe até algumas coisas se resolverem por lá. "os gatos que se danem"? Não. Eu realmetne não penso assim, mas parece que ela acha que me conhece... coitada...

Vamos nos mudar para a Bahia e simplesmente NÃO TENHO COMO LEVAR OS GATOS. Viajar com gatos nunca foi problema para mim. A Lily e o Mingau moraram em São Paulo, depois em Atibaia, depois no Mato Grosso, depois voltamos para São Paulo, depois fui para Goiás, depois voltei de Goiás e eles sempre foram junto conosco. Agora a situação é muito diferente... Mas eu não expus a situação completa nesse e-mail e teve gente que falou até que meu marido está desempregado!!! Pode isso? Ele nunca esteve desempregado!!!! A mesma pessoa que achou que o Rafa estava desempregado falou que é uma sorte que o pequeno não fala senão ele falaria que não pediu para nascer!!!! Posso com uma coisa dessas? A mulher simplesmente imaginou uma situação que só existe na cabeça dela! Eu falei que nós iriamos para a Bahia pois meu pai arrumou um emprego para meu marido lá e ela já imaginou que ele não tinha emprego aqui!!!! Enfim... gente louca...

Agora a cereja em cima do bolo! A mesma pessoa que gasta 3500 com os gatos por mês e deixa a filha na casa da avó durante a semana escreveu: "mas esqueci, as pessoas são diferentes, e por isso esse mundo está assim... com tanta tristeza, abandono e falta de compromisso..." Eu acredito que isso se deve às pessoas e no jeito que elas são criadas. Acredito que uma criança que fique longe de seus pais (ou de um de seus pais) para que gatos, cachorros, passarinhos ou seja lá qual for o bicho, seja bem tratado pede um pouco de referência do que é compromisso, do que é família, do que é abando no ou não...

Ainda em tempo, essa mesma pessoa ainda escreveu: "enfim, opções e muita correria atrás, mas sempre ciente da minha obrigação de cuidar deles enquanto não houvesse alguem melhor pra cuidar pq ter acolhido eles foi opção e escolha MINHA." Alguém tbm leu ""Enquanto não houvesse alguém melhor para cuidar"? Pois escrevi o tal email procurando justamente alguém melhor para cuidar!!!! Sei como será daqui pra frente e sei que eles iriam sofrer muito mais...

Mas acho que as pessoas perderam suas referências, desaprenderam a conviver juntas, esqueceram como sentar à mesa juntos é gostoso... Amo animais, mas jamais vou privar meus filhos de algo por causa de um animal. A Lily e o Mingau eram mais velhos do que a Luiza e pensei que fosse morrer quando eles morreram. Ontem o Mariano e o Papinho foram doados e choramos MUITO, muito mesmo. É um sentimento terrível, um sentimento de impotência, pois escolhemos nossos filhos e nós estarmos juntos acreditando ser o melhor e isso nos impossibilitou de levar os gatos. É terrível! Mas jamais vou ter que olhar para meu ilho e falar: filho, hoje as coisas são assim, pois quando tivemos uma oportunidade boa nós escolhemos não aceitar para ficar com os gatos...

Gente! isso é demais para mim!!!!

Obs.: muitas pessoas foram legais, não julgaram e deram idéias! Acho justo falar delas também!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O que é um parto normal depois de TRÊS cesáreas?

O Fancisco já está com um pouco mais de dois meses e ainda sinto o ar de vitória me rondando! Ainda olho para ele e agradeço, ainda fico relembrando meus passos todas as sextas-feiras (é assim o plural?). Me lembro das primeiras contrações que me fizeram ter certeza de que eram contrações mesmo, me lembro de estar no posto de saúde e as contrações virem... Lembro da compra que precisei fazer no Extra e que quando vinha uma contração eu precisava dar uma paradinha... E vou lembrando todo o resto do dia... E aí lembro que ele nasceu e eu consegui! Um parto normal depois de ter tido três cesáreas, sem nunca ter entrado em trabalho de parto antes... Mágico, divino, fantástico!
A alegria era tanta por termos lutado e vencido essa batalha que não faltava vontade de anunciar para o mundo. E assim o fizemos. O Rafa passou a falar para todos que eu tinha tido um parto normal depois de três cesáreas. E eu comecei a perceber o que isso significava para as pessoas que ouviam isso:
- Para minha mãe foi a prova de que sou teimosa o bastante para conseguir o que eu quero sempre. E ela não está errada! Mas ela nem imagina o quanto teimosa eu sou!!!
- Para minha sogra eu sou uma doida que podia ter tido uma cesárea sem dor e fui inventar de ter um PN para sofrer! E imagina que "não deram nem um pic para ajudar a nascer" e que eu achei isso melhor!!!! hehehe
- Para os conhecidos da igreja isso não foi absolutamente nada, afinal a grande maioria das muheres de lá tiveram todos os seus bebês por PN nos hospitais públicos da região!
- Para minhas vizinhas eu fui louca em não ter ido para o hospital do convênio e pedido para tirarem o bebê! Foi bem feito pra mim, pois eu tinha convênio e não quis usar. Além de ser considerada uma louca por dizer que amou o PN!
- Para uma tia minha eu pude responder à sua pergunta: "É igual nas novelas? Tem que fazer muita força e dói muito?".
- Para uma amiga foi uma surpresa quando respondi que tinha sido normal depois dela perguntar sobre a dor no corte, afinal o médico dela disse que seria impossível um parto normal depois de duas cesáreas, quem dirá depois de três!
- Para a pediatra não foi nada, pois não quis entrar em detalhes e ela acha que tive os outros por PN tbm heeheh
- Para algumas mulheres das listas que participo e que acompanharam os acontecimentos foi uma vitória para mim!
- Para minha filha foi a prova de que a mãe é teimosa e que conseguiu o que queria e foi também a certeza de que será a melhor forma dela ter os filhos dela!
- Para o Pietro foi assim: "Nenê atcheu e não itagou baigá mamãe" (Nenê nasceu e não estragou a barriga da mamãe). Não sei de onde ele tirou isso!!!
- Para meu marido... Bem, estou esperando saber o que foi exatamente para ele. O relato dele está pronto, são 7 páginas escritas à mão e estou esperando ele passar para o word...
- Para mim foi TUDO. Foi a realização de um sonho, foi minha realização como mãe, como mulher, como dona do meu corpo e do meu nariz. Foi a prova de que quando se quer muito uma coisa o mundo conspira para que aconteça. Foi o meu crescimento como pessoa, foi o encontro com minha força que eu nem sabia que existia. Foi a minha explosão! A explosão da bomba relógio ambulante que eu era aos olhos de muitas pessoas que eu fui atrás para procurar ajuda! Sim, essa bomba explodiu! Explodiu em ocitocina, explodiu em vida, em gritos misturados ao choro de alegria e de uma nova vida!
O que é um parto normal depois de TRÊS cesáreas?
É a explosão da bomba relógio!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Laços e parto

Tá certo que posso causar uma certa polêmica com essa postagem, mas como meu blog não é um bolg muito movimentado (fora as pessoas que vem aqui por causa do post sobre o hospital) resolvi escrever sobre isso mesmo assim.
Tive 3 filhos por cesárea sem nunca ter entrado em TP antes. Com toda certeza eles nasceram antes do que deveriam ter nascido. Seja um dia antes ou duas semanas antes, mas nasceram. De qualquer forma um processo foi interrompido. Amo meus filhos nascidos por cesárea igualmente amo o Francisco. Isso independe o tipo de parto, a escolha que foi feita (se foi eletiva ou necessárea), se queria normal e fizeram cesárea ou se queria cesárea mas nasceu normal: uma mãe vai amar o filho igualmente sempre! Ela nunca vai ser mais ou menos mãe por causa do tipo de parto. O que vai fazer dela uma mãe "mais mãe" é a relação que ela tem com seu filho e só isso!
Mas enfim, voltando ao assunto, eu sempre fui muito mãe dos meus bebês. Na primeira filha eu que fiz questão de fazer TUDO desde o começo: primeiro banho, amamentar, acordar de noite. Isso com 18 anos e sozinha, sem marido ou namorado. Sempre quis escolher o melhor para ela, tentar entender o que ela estava sentindo, tentar fazer o que eu achava certo (mas acabei ouvindo muito palpite - assunto para outra postagem hehehe). No segundo filho eu fiz como com a primeira com a diferença que ouvi menos palpites hehehe. Mas nossa relação foi bem parecida. Com o terceiro filho eu já não ouvi palpite nenhum e nossa relação foi muito parecida com a relação que tive com os outros: compreenção, amor e tentar fazer o melhor por eles.
Aí veio o Francisco: um parto normal, natural, assumindo as escolhas que nós fizemos. Um parto onde eu precisei trabalhar junto com meu filho e ele junto comigo. Ele não foi simplesmente tirado de dentro de mim com hora marcada, sem dar sinais de que queria ou precisava sair. Ele e eu trabalhamos para isso por muitas horas. Durante todo esse trabalho eu fui mudando e ele foi chegando. Eu fui me abrindo para ele e ele foi pedindo passagem para o mundo. Enquanto meu corpo trabalhava para ele sair, o corpinho dele trabalhava para ele chegar a esse mundão!
E ele chegou. Ele se esticou todinho dentro de mim, empurrou junto comigo e nasceu. O processo se completou. Do inicio ao fim. Do dia em que ele se "instalou" aqui dentro, que foi o dia que ele escolheu, ao dia que ele saiu de dentro de mim por sua própria vontade também. Durante esses meses, semanas, que ele ficou dentro de mim nós fomos criando laços invisíveis que não vão se desfazerem nunca. Esses laços também foram criados nas gestações anteriores, mas acredito que faltou algum. Acredito que na hora do parto do Francisco mais um laço se criou, mais uma conexão foi criada, um processo completo que chegou ao fim sozinho, sem a imposição de ninguém.
Repito que em termos de amar um filho, não sinto diferença nenhuma de amor entre eles!!! O que sinto na verde é uma ligação diferente com o Francisco, um conexão além do que eu consigo compreender. Acredito que isso se deve ao processo todo de concepção, gestação e nascimento que se completou. Ao contrário da cesárea eletiva ou da cesárea enganativa, quando esse processo é interrompido antes mesmo de a mulher entrar em trabalho de parto. Posso estar falando bobagem, mas é assim que enxergo tudo isso.
Hoje acredito que a mulher precisa entrar em trabalho de parto, precisa passar pela transformação do seu corpo, precisa sentir que seu bebê quer nascer e que ele está trabalhando para isso. E se por uma acaso ela precisar de uma cesárea realmente necessárea esse processo já se iniciou e esse último laço já foi criado. Hoje lamento profundamente ter marcado o dia do nascimento da Luiza, pois sei que se não o tivesse feito eu não teria tido 3 cesáreas. Porém foi graças a esses três nascimentos que pude compreender, aprender e entender toda a beleza e mágica de parir um filho e tudo o que isso trás depois do parto!
Para finalizar, deixo um exemplo de conectividade com meu pequeno que nunca tive com nenhum outro filho.
Amamentei todos os meus filhos, uns mais, outros menos e dois ainda mamam. Sempre em livre demanda todos. Quem amamenta em livre demanda sabe que não tem hora para dar de mamar. O Francisco nunca teve hora para mamar, nem mesmo criou um intervalo regular para isso. Tem hora que mama agora e pede novamente depois de meia hora. As vezes mama e vai pedir de novo dali 3 horas. Acontece que quando ele quer mamar ele começa a se agitar, depois começa a dar pequenas resmungadinhas reclamando e só se não foi atendido é que ele começa a chorar. Aí vem o inexplicável! Algumas poucas vezes ele fica longe do alcance da minha visão, como por exemplo pela manhã quando ele está no quarto e eu estou preparando o Henrique para ir à escola, ou quando estou lavando louça e ele está dormindo na sala. Nessas poucas vezes em que isso acontece e ele quer mamar eu sinto o meu peito encher de leite e só depois escuto o choro dele! Lembrando que ele só chora depois de se agitar e de resmungar! E lembrando que eu não ouvi ou vi isso! E que ele não tem hora para mamar!
Com meus outros filhos meu leite descia simplesmente com o chorinho de fome ou só no inicio da mamada. Com o Francisco existe algo ligado entre nós, algum laço invisível, uma conexão que eu não sei explicar. Mesmo não estando perto e não ouvindo, eu sei que ele quer mamar! E esse é só um exemplo que eu acho lindo de sentir!


terça-feira, 18 de maio de 2010

"Vamos fugir deste lugar Baby"

Quando cheguei no hospital para ter o Francisco eu estava com fortes dores nas contrações. Quando a médica fez o toque e falou que eu estava com UM centímetro de dilatação eu não acreditei! Tanta dor, contrações a cada 3 minutos por tanto tempo e só um centímetro? Imagina quanto tempo mais eu teria que sentir dor para meu bebê nascer? Talvez mais umas 9 horas para dilatar tudo? Talvez até mais tempo?
Nessa hora eu fiquei meio perdida. Não sabia o que pensar. A médica pediu um cardiotoco e falou que iria me transferir por falta de vaga. Mas antes do cardiotoco eu iria tomar glicose para o exame não dar alterado. Enquanto eu tomava a glicose o Rafa perguntou se eu queria ficar lá nesse hospital mesmo e eu disse que sim. Era impossível pensar em ir para outro lugar naquela hora.
Na hora do cardiotoco eu considero que fiz minha vizita à Partolândia. Eu imaginava coisas sem sentido algum, coisas absurdas! Dentre as coisas absurdas que imaginei está eu fugindo do hospital. Sério mesmo! Eu imaginei fugir do hospital. Ficava me vendo saindo correndo pelos corredores com meu vestido esvoaçando... Imaginei se eu acharia a saída de lá, já que eu tinha entrado junto com o Rafa e não tinha prestado atenção no caminho. Imaginei se o Rafa conseguiria me acompanhar. Imaginei se algum segurança ou enfermeira iria tentar me segurar.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Ainda bem que eu só delirava assim durante as contrações e depois eu desisti. Nessa hora eu estava com muito medo do tamanho da dor, da força da contração. Foi uma loucura hehehe Ainda bem que não fugi. Fiquei e pari!

Obs.: Acho que vou postar muitos detalhes do TP e do parto por aqui. São coisinhas que vou lembrando, coisas que não quis contar no relato de parto para não ficar maior do que já ficou, mas são coisas que eu gostaria de deixar registrado!

Obs2: Depois do toque em que eu estava com 1 centímetro demorou 7 horas para o Francisco nascer!!!!!!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Dando a notícia

Assim que o Francisco nasceu e a enfermeira deu os pontinhos da laceração, eu levantei e tomei um banho. Voltei para a cama limpinha, peguei me pequeno no colo e babei... Babamos muito, o Rafa e eu. Olhamos no relógio e eram quase 6:30 da manhã. Há alguns dias atrás minha mãe havia me ligado bem cedo e acabou me acordando. O Rafa então sugeriu que acordássemos minha mãe, mas por uma boa causa hehehe. Como ela tinha exames para fazer eu falei que talvez ela já tivesse acordada. Liguei do celular do Rafa a cobrar para ela às 6:30 da manhã. Ela atendeu com um pouco de sono, mas falou que já estava acordada... Falamos coisas bobas e ela não achou nada estranho eu estar ligando aquela hora, a cobrar e do celular do Rafa hehehe Aí eu falei: "Então, eu estou aqui com o Francisco no colo mamando! Ele nasceu agorinha a pouco! E foi normal!"
Fiquei tão orgulhosa em anunciar meu parto normal!