quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Querer querer...

Agora eu estava em dúvida se escrevia aqui ou se postava no Coisinhas de Mãe. Resolvi postar aqui pois já passei por isso e acho que tem muito mais há ver com coisas minhas do que com o universo materno.
Quando estava grávida do Pietro eu queria um parto normal. Mas eu queria muito querer de verdade um parto normal. Na verde eu não estava preparada para enfrentar um parto normal depois de duas cesáreas, eu não estava preparada para as dores do parto, não estava preparada para não saber quando o meu filho ia nascer, não estava preparada para EU fazer ele nascer! Eu queria muito um parto normal, mas eu não queria o pacote completo que vinha com ele.
Lembro que ficava lá no meu íntimo (e isso eu nunca contei para ninguém, nem para o Rafa) torcendo para que uma cesárea fosse realmente necessárea!
Pára tudo! Deixa eu explicar melhor! Não queria que meu bebê ficasse mal ou algo assim. Eu queria que alguém olhasse para mim e falasse: olha, tem pouco líquido, cordão no pescoço, você está com anemia ou qualquer baboseira dessas para que eu fosse para uma cesárea com a cabeça mais leve. Fiz um USG com 36 semanas: bebê cefálico, liquido ok, cordão bem longe do pescocinho, dorso à esquerda. E com 38 semansa e 1 dia nasceu o Pietro por cesárea. Ele estava encaixadinho já... Chorei por muito tempo pensando na minha covardia, na minha falta de coragem. E pensava nas inúmeras conversas que tive com ele quando ele ainda estava na minha barriga. Eu falava que eu queria que ele nascesse de parto normal, pedia para ele ficar cefálico, conversava sobre o parto... Aí depois eu pensava no quanto eu tinha sido fraca, covarde, no quanto eu tinha enganado a mim e ao meu filho antes mesmo dele nascer! Olhava aquele bebezinho tão pequeno e ficava imaginando que daquele tamanico ele já tinha acreditado em mim, pois até encaixado ele estava (o Henrique não encaixou, foi tirado antes).
Cerca de um mês após o parto eu voltei para a lista de parto que eu participava e em meio aos emails solidários que recebi eu recebi um que me deixou FURIOSA. Era da AC e dizia que cada um tem o parto que se acha merecedora. Eu fiquei tão brava! Fiquei pensando no motivo dela ter falado isso sem nem ao menos me conhecer! Mas vamos aos fatos daquela época:
-eu queria ter meu filho no Santa Joana, afinal lá era chique e bonito;
-eu queria me sentir completamente segura e, apesar de eu pensar em PD eu tinha era medo;
-eu tinha vergonha de gritar, medo de sentir dor, medo de ter medo...
Foi um conjunto de fatores que me levaram para a terceira cesárea. E eu não merecia um parto normal. Não quando eu estava procurando um motivo para não tê-lo. Não merecia e não achava que conseguiria. Por isso eu rezava lá no meu íntimo, escondido até mesmo de mim, para que "aparecesse" alguma coisa que justificasse uma cesárea.
Hoje eu li uma mensagem na lista sobre parto de uma moça que estava assustada com o resultado do exame de USG dela: pouco líquido e cordão enrolado no pescoço. Não conheço essa moça para falar se ela quer realemnte um PN ou se quer muito querer. Mas esse tipo de email eu conheço, pois eu mesma cheguei a mandar para a lista e para algumas meninas da lista.
Se fosse comigo hoje, se eu fizesse um exame desse hoje e minha GO viesse falar em cesárea eu ia parir em um hospital público hehehe
Hoje, depois de todas as escolhas que eu fiz para conseguir parir o Francisco eu entendo o que a AC falou para mim há quase 3 anos atrás. Quando decidi ter mais um filho, aquela frase que eu tinha lido martelava na minha cabeça ainda e eu queria me sentir merecedora do meu parto. E assim eu busquei. Assim eu escolhi. Sabendo das minhas fraquesas eu me cerquei para que não caisse no conto da cesárea: fiz pré-natal em hospital público onde o GO não tem o menor interesse em internar a paciente para fazer uma cesárea, já que não é ele quem vai fazer. Falei que só tinha uma cesárea para não ficar ouvindo bobagens sobre o enorme risco que eu corria! E foi assim que eu consegui. E foi assim que eu mereci meu lindo parto natural depois das minhas três cesáreas eletivas.
Entrei em TP com 39 semanas e 4 dias. O bebê estava alto, com dorso à direita. Se tinha muito ou pouco líquido eu não sei, pois o ultimo USG que eu havia feito eu estava de 32 semanas. Se ele tinha cordão no pescoço eu tbm não sabia, mas eu sabia que isso não importava para um PN e isso é que era importante. Eu sabia que podia parir, independente de terem me dito que não seria possível!
E eu pari!

sábado, 27 de novembro de 2010

Amor maior?

Há um tempo atrás saiu um comentário em uma lista de discussão que participo sobre a diferença na relação com o filho nascido por cesárea e o filho nascido de um VBAC (parto normal depois de cesárea). Tem difereça no amor, no cuidado, no carinho? No sentimento que se tem por esse filho nascido em um vbac?

Não posso dizer que amo mais o Francisco do que amo a Luiza. A Luiza me mostrou o amor maternal. Lembro como se fosse hoje o sentimento que eu nunca havia experimentado antes toda vez que eu olhava para ela. Foi algo mágico, algo que eu não conseguia explicar, por nunca ter sentido antes. E como eu nunca havia sentido antes eu não entendia e achava tudo maravilhoso! Era tão forte e poderoso aquele sentimento que eu acreditava que jamais poderia sentir aquilo por outro bebê! Como posso dizer que amo mais o Francisco do que a Luiza?

E como posso dizer que amo mais o Francisco do que amo o Henrique? O HEnrique foi meu primeiro menino. Meu tão desejado menino! Eu sempre quis ser mãe de meninos e o Henrique foi o primeiro. Eu sabia assim que fiquei grávida dele que era o meu menino que estava chegando! Quando ele nasceu, aquele amor que eu senti quando a Luiza nasceu foi facilmente reconhecido. Sim, eu era capaz de amar outro bebê! E eu amava meu menino demais!!!!

E como posso dizer que amo mais o Francisco do que o Pietro? O Pietro veio para me ensinar e mostrar um jeito novo de maternar. Me mostrou outros caminhos, me ensinou a ser uma mãe melhor. O Pietro é meu filho passarinho, tão miudinho, magrinho e lindo! Na gravidez dele eu aprendi muito sobre gestação e parto. Depois que ele nasceu eu aprendi muito sobre amamentação, alimentação. Ele me trouxo tudo isso! Ele trouxe meu VBA3C! Como posso dizer que amo mais o Francisco do que o Pietro?

E o Francisco? Amo meu caçulinha lindo! Não amo mais do que amo os outros! Mas alguma coisa mudou, alguma coisa é diferente? Sim. Comparo com um enorme copo de água gelada! Água é água. Precisamos dela e sentimos necessidade de água! Mas um copo de água em um momento qualquer do dia é bem diferente de um copo de água em pleno dezembro escaldante, na 25 de março, no meio daquela muvuca de gente se acotovelando por presentes de Natal. Aquela sede que você sente que a boca chega a ficar seca! Aí você entra em uma lanchonete e fica meia hora só para conseguir comprar uma garrafinha de água que nem gelada está. Aí você abre e toma! E que água mais maravilhosa foi essa que você tomou? Foi uma água deliciosa e você vai saborear cada gotinha dela! E vai ficar feliz e grato por ter conseguido aquela garrafinha, mesmo que não estava gelada!

Meu VBA3C foi tão difícil de conseguir que o sentimento que tenho pelo Francisco é diferente. O Francisco foi meu quarto filho. Água fria! Nada diferente. Aquele amor descomunal que senti pelos outros, aquela emoção ao ver o rostinho dele pela primeira vez, foi tudo igual com os outros filhos. Mas um sentimento diferente ficou. Uma ligação especial. E não foi devido à via de nascimento, não foi o parto normal em si que nos deixou ligados. Acredito que se eu tivesse lutado até o fim e tivesse passado por uma cesárea necessárea, essa ligação, esse vínculo já teria se formado. Olho para ele e sinto uma cumplicidade entre nós. Uma luta, uma batalha que ganhamos juntos. Alguma coisa é maior entre a gente. Certamente não é o amor. E certamente o que fez essa coisa ser maior entre a gente não foi o parto normal, foi a busca por ele. As dificuldades que encontramos, os "nãos", os "... e se...", as dúvidas macabras que nos rondaram durante a gestação toda.

Nossa relação é diferente sim! Não é mais amor. É algo mais! Olho para ele e vejo um lutador, um guerreiro. Muitas crianças nascem de parto normal e um vbac tecnicamente não é mais difícil para o bebê... Mas ele esteve junto comigo nessa luta. Se eu lutei, ele lutou também. Eu pari, mas ele nasceu. E só o fato de termos conseguido juntos um VBA3C já o torna especial para mim!

Não sei dizer o que é. Sei que não é um amor maior. Talvez um dia eu entenda o que é ou talvez um dia esse sentimento passe e fique só o amor. Mas o Francisco é minha garrafinha de água no meu momento de maior sede! Ele é especial para mim!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Excluindo uma postagem!

Tem uma postagem nesse blog sobre uma reclamação de um péssimo atendiemnto que o Pietro teve em um hospital conhecido em São Paulo. Essa semana eu descobri que nos últimos 30 dias 400 pessoas chegaram ao meu blog através de busca no google pelo nome desse hospital. Resolvi tirar essa postagem do meu blog, pois não é esse o foco daqui. Lembro muito bem quando eu estava p*** da vida com o hospital e dei uma busca na internet sobre ele. eu estava brava, irritada e realmente não gostaria de pessoas com esse espírito passando por aqui! Não que estas pessoas não possam passar por aqui. Pelo contrário, são muito bem vindas! Sei que tem pessoas que me seguem e que acharam meu blog através do google por causa desse hospital! Mas 400 visitas por mês só para ver a postagem do hospital é demais! Por isso eu tirei essa postagem desse blog.
Mas eu não queria deixar essa reclamção apagada e por isso eu fiz um novo blog só com a reclamação, assim as pessoas que procurarem por ela, encontrarão. Esse é o Blog. Todos os comentários que foram feitas aqui eu transferi para lá tbm!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Depressão pós-parto, EU???

Tive o parto perfeito, o parto que sonhei, o parto mais lindo do mundo!

O Francisco é um bebê lindo, sorridente, não teve cólicas, não tivemos problemas na amamentação, ele nunca passou a noite acordado, sempre dormiu bem, é sossegado!

Mas veio uma tristeza sem fim quando o Francisco estava com uns dois meses. Mas logo eu achava um culpado: Quem pode ser feliz com problemas financeiros? Quem pode ser feliz morando em um apartamento tão pequeno com 4 filhos? Não dá para ser feliz tendo que limpar bandeja de gatos que fazem cocô toda hora! E como ser feliz sendo dona de casa? É por isso que eu estou tão triste!

E além de triste eu estava sem paciência para nada e com ninguém. Mas como ser paciente com 4 filhos? Não dá para ter paciência com um menininho de 2 anos querendo chamar a atenção! Não dá para ser paciente com crises de adolescente! Não dá!

Triste, sem paciência, desanimada! Mas qualquer um ficaria desanimado morando aqui nesse apartamento com 4 filhos e 3 gatos. Qualquer um não teria vontade de fazer nada aqui!

Além de triste, sem paciência, desanimada, eu também estava irritada com tudo, sonolenta e com vontade de sumir! Mas eu achava que tinha uma razão bem lógica e obvia para tudo isso! Afinal minha vida estava muito ruim! Era assim que eu enxergava!

Mudei de cidade, praticamente mudei de vida! Altos e baixos. Dias bons, dias ruins. Mas sempre achando uma justificativa para tudo isso! Lentamente as coisas foram se agravando. Por mim eu ficaria o dia inteiro sentada na cama dando mamá para o Francisco e só! E os outros filhos e marido? Poderiam simplesmente desaparecer de um dia pro outro! Eu conhecia muito bem esses sintomas, mas seria possível? Sim, de novo!

Tive depressão pós parto quando o Henrique nasceu. Todo o primeiro ano de vida dele eu tenho somente uma lembrança embaçada. Não me lembro muita coisa. Lembro dos momentos especiais: quando ele engatinhou, quando andou e poucas outras coisas. Eu tinha um ciúme fora do comum do Henrique e só eu parecia saber cuidar dele direito. Não podia nem pensar em ter mais filhos. Melhorei quando ele tinha 1 ano.

Quando tive o Pietro eu fiquei bem, não tive nada. Tenho lembranças claras do primeiro ano dele, eu me sentia feliz, animada, morria de vontade de ter mais um filho logo.

E aí veio um filho desejado com um parto desejado e lindo. Tudo perfeito! Como eu poderia estar sentindo tudo tão parecido com o que senti quando o Henrique nasceu? Sim, eu estou com depressão pós parto.

Já ouvi que depressão pós parto não existe. Que isso é invenção da mulher. Que é para chamar a atenção... Já ouvi muita bobagem sobre isso. Mas a depressão pós parto existe sim e afeta cada mulher de um jeito diferente. Eu fico assim: triste, implicante, irritada, sem paciência, desanimada, sonolenta, com vontade de me isolar. Não rejeito o bebê. Na verdade fico querendo ele mais perto de mim. Sinto como se o BB fosse o único que não vai me julgar. Dessa vez eu não estou com ciúmes do Francisco, mas é o único filho que quero por perto. É muito triste todos esses sentimentos. Ainda mais para mim que tenho praticamente tudo o que quero. Tenho os filhos que quis ter, tenho minha linda família, tive meu tão desejado e sonhado VBA3C que eu posso dizer com muito orgulho que consegui praticamente sozinha, tenho filhos lindos, saudáveis e felizes. Hoje moro em uma casa enorme e linda. Posso não ter dinheiro, mas isso não é o que mais importa na vida hehehehe Como posso ter esses sentimentos tão horríveis? Como posso deixar esses sentimentos me transformarem tanto?

Assim que reconheci os sintomas e ACEITEI a depressão pós parto eu procurei ajuda. Estou tratando com florais e homeopatia. Comecei o tratamento há pouco tempo, menos de uma semana, e ainda não tenho muitos resultados. Mas sei que vou superar mais essa assim como superei da outra vez.

Tenho dias bons e dias ruins. Tem dias que estou bem, que brinco com as crianças, me divirto, me sinto feliz e animada. Em contrapartida fico dias me sentindo mal. O pior é ter que fingir. Eu não consigo deixar transparecer. Eu não consigo sair de casa e ficar com a cara triste. Costumo estampar meu melhor sorriso e fingir estar bem! Eu acho bem mais fácil uma cara feliz, pois ninguém vem fazer perguntas. Uma cara triste sempre traz a pergunta: “o que você tem?”. E eu não vou me abrir para qualquer um.

A depressão pós parto é assim. Acho que para a maioria das mulheres é meio vergonhosa. Principalmente para aquelas que tem tudo, como eu. Quando a mulher engravidou sem querer, teve um parto ruim, se separou ou está passando por um momento difícil aos olhos da sociedade, fica mais fácil assumir, pois vai ter um culpado. Algo como “Ah! Ela teve depressão pós parto pois engravidou sem desejar” ou “Ela teve depressão pós parto pois acabou de se separar do marido/é mãe solteira/perdeu o emprego assim que voltou da licença...”. Não estou menosprezando esses problemas, mas para a família, amigos e conhecidos fica bem mais fácil entender a depressão pós parto quando tem um problema visível. Mas e quando a vida parece perfeita e você vive a vida que escolheu para si? Aí os comentários são outros: “Isso é o que você escolheu” ou “Você que quis assim” ou “você que quis ter um monte de filhos”... Sim, eu que escolhi tudo isso que eu vivo e sou muito feliz por ter tudo o que sempre sonhei (menos dinheiro hehehe), mas não estou feliz nesse momento. Espero dar a volta por cima e logo lembrar desse período como um sonho ruim ou um pesadelo.

Escrevi esse texto para mostrar que a depressão pós parto não escolhe mulheres tristes. Ela apenas surge em qualquer mulher, forte, fraca, feliz ou triste, que estejam passando por momentos difíceis na vida ou que estejam vivendo a vida que pediram à Deus, que tenham passado por coisas tristes ou que tenham passado pelos momentos mais gloriosos da sua vida! Ela simplesmente vem e o que temos que fazer é reconhecer, assumir e tratar!

E vida nova depois disso é o que espero!

domingo, 3 de outubro de 2010

"Voar é para pássaros" - Pica-pau

Já disse uma vez o Pica-pau, enquanto voava atrás de gansos carregando uma malinha no bico que voar era para os pássaros. Concordo!
Me diz onde Santos Dumont estava com a cabeça quando pensou em botar uma coisa tão grande no céu. Relógio de pulso vai lá, mas avião??? É muito grande, muito pesado, muito barulhento...
Não era bem isso que eu pensava sobre aviões. Antes de vir para Bahia eu tinha viajado de avião duas vezes, uma com 5 anos e outra com 10 anos. Não me lembrava das sensações, nem de nada. Confesso que não era uma coisa que me facinava viajar de avião, mas tbm não fedia nem cheirava, tipo tanto faz...
E aí aconteceu! Entrei no avião com a Luiza, o Henrique, o Pietro e o Francisco. Esse último no sling, bem nem aí para o mundo. O Henrique quicava no seu lugar e o Pietro, depois e sentar no seu lugar continuou pedindo para ir no avião! Tá certo Pi, avião tem cara de ônibus de viagem... E então ele começa a andar e tem aquelas intruções no mínimo macabras sobre o que fazer em emergências. Ai, emergências? Se estivesse no meu carro e algo acontecesse eu desceria e esperaria o guincho, mas despressurização, assento que bóia, meu Deus! Pode cair no mar? Socorro! Pára que eu quero descer!!!!
Enfim ele entra na fila para subir! E começa a andar, depois correr e correr e correr. E quando corre treme pra chuchu. E aí ele começa a inclinar! Opa, saiu do chão! Mas não devia parar de tremer? E sobe tremendo e parece que tem um tijolo na minha cabeça me apertando para baixo. Ai, voar é para pássaros!!!!
Não sei o que houve com ela, mas a Luiza falava mais que a boca! E aí ela fala: "ai, detesto quando ele começa a deixar o avião reto depois de subir." E em seguida o avião começa a ficar "reto". O tijolo sumiu da minha cabeça mas em compensação parece que estamos caindoooooooo. Gente, isso não pode ser uma coisa natural! Ok! A luz do cinto se apaga. Eu solto o Pietro para ele poder olhar na janelinha, mas eu simplesmente não consigo tirar meu cinto. Resolvo que vou tentar, pois queria tentar descontrair. Tiro meu cinto e praticamente me arrasto para o banco do meio. Meus pés estão pesados e não consigo movê-los direito. Minha mãos estão frias e imagino que meu rosto devia estampar o medo! Que absurdooooo!
De repente o avião treme! Turbulência! A luz do cinto acende e eu prendo o Pietro. A Luiza olha com pânico para mim: "Mãe, pq a luz do cinto acendeu?" Minha voz sai falhada: "por causa da turbulência", mas eu tento agir como se tudo fosse a coisa mais normal desse mundo, como se eu não estivesse morrendo de medo hahaha
Hora do lanchinho. Bolinho de chocolate e uma pacotinho de bolhachinhas salgadas. Refri e suco. Para as crianças uma festa! Eu estava com o estômago cheio (de borboletas) e mal consegui tomar meu refri. As crianças se entupiram e eu olhando o relógio para ver se estava perto da hora daquela tortura terminar! O comandate resolve nos informar que estávamos sobre Belo Horizonte em altura (35 mil pés) e velocidade de cruzeiro. Precisava disso mesmo? Pra quê me lembrar que estávamos tão alto??? No acento da frente da Luiza alguém da equipe do Santos FC estava sentado. Comecei tentar observar as pessoas! Como elas agiam com naturalidade, como se voar fosse algo tão normal e comum! Peguei uma revista, tentei me distrair, mas eu estava muito tensa! De repente aquela sensação de queda novamente e a Luiza anuncia que detesta quando o avião faz isso na descida! Pela hora nós estávamos chegando mesmo. O avião parecia que caia e depois subia, caia e depois subia. Eu não contava com esse passeio na montanha russa. A carinha do Francisco era muito engraçadinha. A cada "queda" do avião ele arregalava os olhinhos assustados, mas tão fofo! E de repente curvas e mais curvas. E curvas sobre o mar. E aí, nesse momento acho que foi o único que o meu medo passou! A lembrança da minha ultima viagem de avião e da chegada à Salvador me encheram de alegria! Tá, ainda estava um pouco assustada! Mas aquele mar imenso lá embaixo, aquele céu azul e a visão de Salvador foi o momento mais lindo (acho que o único) da viagem toda! E o avião descia e eu estava sem medo de olhar pela janelinha (boa parte da viagem ela ficou fechada...). E aí o aeroporto e o medo tomou conta de mim! Pista, pista, pista e ele não vai encostar no chão??? Encostou... Mas ele não vai parar??? Eu só relaxei quando a velocidade diminuiu e ele ficou só devagar pela pista. Relaxei tanto que eu poderia encostar e dormir... Levantei meio cambaleante, saí do avião e fiquei tremendo por algum tempo ainda. Não sei se da tensão que passei ou se de fome...
Alguns dias depois uma reportagem na TV fala sobre o medo de avião. E uma coisa me chamou a atenção. Uma psicóloga especialista nesse medo falou que pode ser um medo transitório. Um medo que surge em algum momento da vida por alguma razão e depois some. Uma das razões que ela citou se encaixava direitinho naquele momento da minha vida. ela falou que algumas pessoas desenvolvem esse medo em momentos de mudanças na vida, seja mudança de casa, de trabalho, de carreira. Eu estava de mudança.
Espero ter sido essa a razão de todo o meu pânico. Espero poder voar sem medo. Espero ter que voar novamente daqui há muito tempo, afinal voar é para pássaros.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O trabalho de parto



Sim, ainda esse assunto!!! Acho que esse assunto para sempre seria pouco para mim!

Quase 3 meses depois do dia P eu resolvi tirar uma foto da página da minha agenda onde anotei as contrações. Não tirei foto do TP ou do parto. Fico com um pouco de pena de não ter fotos desse momento tão maravilhoso da minha vida, mas eu nem pensei nisso. Estava focada em conseguir e só! A única foto que bati durante meu TP foi uma foto do Pietro hehehe Então são poucos registros que tenho e por isso fiz questão de guardar a página da agenda.

No alto eu anotei a hora que a bolsa rompeu: 14:40. Eu estava com contrações espaçadas vindo a cada 5, 8, 7 minutos... Estavam doloridas, mas era uma dorzinha boa ainda! De repente ploct e não saiu água nenhuma! Depois veio a enxurrada e a certeza de que meu filho estava chegando no momento que ele escolheu!

Comecei a anotar as contrações quando elas começaram a ficar bem doloridas e com uma duração maior, chegando quase a um minuto. 15:11 foi a primeira que marquei. Eu estava na sala, sentada à mesa mexendo na internet. Postei no blog Diário de Grávida, coloquei fotos no orkut, troquei emails, joguei uns joguinhos... Estavam suportáveis e eu estava feliz demais!!!

17:12 tive uma contração e fui para o chuveiro. As contrações começaram a ficar doloridas. Perdi a noção de tempo e achei que tivesse ficado só um pouquinho, mas depois eu marquei uma contração só as 17:56. Já estavam bem doloridas mesmo, mas bem suportáveis!

As 18:32 foi a primeira contração que o Rafa anotou depois que ele chegou. Nessa altura eu já não conseguia anotar a hora mais. Porém eu não sentia necessidade de gritar e nem consegiua fazer isso. Em algum momento depois disso eu resolvi ir para o chuveiro de novo. Lá eu comecei a falar "ai, ai, ai...". Começou a doer de verdade (pelo menos até aquele momento). Saí do banho as 19:35 e marquei um T, indicando que a dor era tanta que eu estava com tremor.

19:50 eu fui comer pizza. Tive essa contração e me apressei em comer antes de ter outra. Demorou 8 minutos para vir e quem anotou foi a Luiza. Ela tbm anotou algumas outras. Depois da pizza eu resolvi que queria ir para o hospital, mas não sabia se ia ou se ficava. Fui trocar de roupa, experimentei deitar de lado (terrível demais), agachar, ficar em pé, ficar de 4 e a melhor posição naquele momento era ficar de joelhos a abraçar o encosto da poltrona!!!

A última contração as 21:06 foi anotada pela Luiza. Depois dessa eu tive muitas outras em casa. Saimos de casa as 21:30.

Meu TP foi um momento muito importante na minha vida. Acho que posso classificar minha vida por antes do tp e depois do tp. O trabalho de parto foi me transformando aos poucos junto com cada contração. Cada dor jogava no meu corpo sentimentos novos, acordava partes adormecidas e esquecidas, fazia nascer outras que eu nem sequer sonhava que podiam estar lá comigo. Cada grito que dei fez acordar em mim uma mulher forte e gigante. Cada minuto que passou valeu por anos de aprendizado e conhecimento. Cada gota que saia de mim me fez conciente de cada parte do meu corpo e de todo o processo que ele estava passando.

Tudo foi mágico!

domingo, 4 de julho de 2010

Mundo virtual

Nesse mundo de internet tem muita coisa estranha, esquisita e principalmente gente louca. Acho que a correria e a solidão dos dias de hoje faz com que as pessoas mudem seus valores e passem a fazer coisas que me dão medo mesmo.
Sempre prezei pela união da família: pai, mãe e filhos sempre juntos. Lógico que seria incapaz de ficar com um homem que não amo ou que não nos respeite só para manter a família junta. Mas esse não é o caso da minha família! Nos amamos, pensamos muito em nós e gostamos de estar juntos sempre. Valorizo cada momento com meus filhos, pois sei que no futuro isso fará toda a diferença na vida deles. Estar presente sempre na vida dos filhos faz com que eles tenham uma referência importante, tenham um porto seguro para atracar quando no futuro sentirem necessidade. E não estou falando só por mim, mas pelo meu marido tbm. Nos dias de hoje é muito comum não ter pai em casa (eu não tive e meu marido tbm não!!!). Valorizamos muito nossa família completa. Isso é uma coisa que eu acredito muito. Eu fico 24 horas com meus filhos. Minha mãe não podia ficar todo esse tempo comigo, pois trabalhava, mas nunca me abandonou, nunca me largou durante a semana na casa de parente e só me via de vez enquando. Ela sempre me buscava no fim do dia e ficava comigo mesmo que por poucas horas, pois logo eu ia dormir. Mas ela tbm estava presente. Enfim, acredito que família deve estar junto sempre: pai, mãe e filhos, ou mãe e filhos, ou pai e filhos, seja qual for o modelo de família que esteja em questão.
Agora nós vamos mudar de São Paulo. Vamos para a Bahia. Escrevi um email pedindo ajuda para encaminhar meus gatinhos para alguém que goste mesmo. Olha só o que escreveram para mim:
"nem eu tendo que me matar de trabalhar (em 2 empregos) pra pagar mais de 2000 de ração e mais 1.500 para empregados pra cuidar deles enquanto trabalho. De todos os problemas q sempre tive, de passar sufoco com eles comendo ração barata, de eu comer pão a 1 real o dia inteiro pra não faltar a ração deles, de ter que deixar minha filha morar com a avó durante a semana pra poder ter a vida que tenho trabalhando 12h por dia pra sustentar a todos, e eu nunca fui uma mãe de querer ficar longe do filho ou não ter trabalho com ele..."
PARA TUDO! 2000 de ração e 1500 em funcionários para cuidar dos gatinhos, mas a filha fica com a avó... Não que os gatos não mereçam carinho, cuidado e amor, mas essa filha morando com a avó e não com a mãe para a mãe trabalhar em dois empregos para manter o padrão dos gatos pode? Quem é a mãe? Essa criança não pediu para nascer mas a mãe optou por pegar os gatos e largar a menina! Ai, me descupe, mas não entendo isso....
Outro email:
"se é por conta do trabalho do SEU MARIDO (não é o seu, certo?) então ele que vá na frente, trabalhe, arrume uma casa e você fica aí, cuida dos teus filhos, da tua mãe e dos teu gatos e quando tiver uma casa pra vocês, vocês vão ficar todos JUNTOS de novo. Solução tem, basta querer resolver.
Ah!!!... mas e ficar sem o marido? aí não pode né? mas os gatos que se danem! (pra ser educadinha!!!)"
Não querida! Ficar sem o marido não pode mesmo! Ele é meu marido, meu companheiro, o pai dos meus filhos, o homem que eu escolhi para ficar comigo... Ficar sem ele não pode! Já vamos ficar longe até algumas coisas se resolverem por lá. "os gatos que se danem"? Não. Eu realmetne não penso assim, mas parece que ela acha que me conhece... coitada...

Vamos nos mudar para a Bahia e simplesmente NÃO TENHO COMO LEVAR OS GATOS. Viajar com gatos nunca foi problema para mim. A Lily e o Mingau moraram em São Paulo, depois em Atibaia, depois no Mato Grosso, depois voltamos para São Paulo, depois fui para Goiás, depois voltei de Goiás e eles sempre foram junto conosco. Agora a situação é muito diferente... Mas eu não expus a situação completa nesse e-mail e teve gente que falou até que meu marido está desempregado!!! Pode isso? Ele nunca esteve desempregado!!!! A mesma pessoa que achou que o Rafa estava desempregado falou que é uma sorte que o pequeno não fala senão ele falaria que não pediu para nascer!!!! Posso com uma coisa dessas? A mulher simplesmente imaginou uma situação que só existe na cabeça dela! Eu falei que nós iriamos para a Bahia pois meu pai arrumou um emprego para meu marido lá e ela já imaginou que ele não tinha emprego aqui!!!! Enfim... gente louca...

Agora a cereja em cima do bolo! A mesma pessoa que gasta 3500 com os gatos por mês e deixa a filha na casa da avó durante a semana escreveu: "mas esqueci, as pessoas são diferentes, e por isso esse mundo está assim... com tanta tristeza, abandono e falta de compromisso..." Eu acredito que isso se deve às pessoas e no jeito que elas são criadas. Acredito que uma criança que fique longe de seus pais (ou de um de seus pais) para que gatos, cachorros, passarinhos ou seja lá qual for o bicho, seja bem tratado pede um pouco de referência do que é compromisso, do que é família, do que é abando no ou não...

Ainda em tempo, essa mesma pessoa ainda escreveu: "enfim, opções e muita correria atrás, mas sempre ciente da minha obrigação de cuidar deles enquanto não houvesse alguem melhor pra cuidar pq ter acolhido eles foi opção e escolha MINHA." Alguém tbm leu ""Enquanto não houvesse alguém melhor para cuidar"? Pois escrevi o tal email procurando justamente alguém melhor para cuidar!!!! Sei como será daqui pra frente e sei que eles iriam sofrer muito mais...

Mas acho que as pessoas perderam suas referências, desaprenderam a conviver juntas, esqueceram como sentar à mesa juntos é gostoso... Amo animais, mas jamais vou privar meus filhos de algo por causa de um animal. A Lily e o Mingau eram mais velhos do que a Luiza e pensei que fosse morrer quando eles morreram. Ontem o Mariano e o Papinho foram doados e choramos MUITO, muito mesmo. É um sentimento terrível, um sentimento de impotência, pois escolhemos nossos filhos e nós estarmos juntos acreditando ser o melhor e isso nos impossibilitou de levar os gatos. É terrível! Mas jamais vou ter que olhar para meu ilho e falar: filho, hoje as coisas são assim, pois quando tivemos uma oportunidade boa nós escolhemos não aceitar para ficar com os gatos...

Gente! isso é demais para mim!!!!

Obs.: muitas pessoas foram legais, não julgaram e deram idéias! Acho justo falar delas também!