terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ano novo, pratos novos

A nossa alimentação estava deixando bem a desejar. Eu estva meio preguiçosa e só fazia arroz, feijão e alguma carne. Às vezes eu colocava algum legume na carne. A carne era de vaca, frango ou porco. Raramente peixe. Enfim uma péssima alimentação! E como aqui temos o hábito de lanchar de noite, então eu estava me sentindo muito mal, por não estar dando uma comida de qualidade para os pequenos. O único que estava bem era o Francisco, pois a papinha dele sempre foi boa!

Aí que resolvi mudar isso. Fazem só três dias, mas tem sido um sucesso total! Saladão como prato principal e algo para comer junto (arroz e feijão ou arroz com carne...). Ontem quase deu briga! Todo mundo queria repetir a salada e achei isso o máximo! O Henrique vibra cada vez que vê a travessa com salada! E eu faço a salada em uma daquelas formas marinex, das grandes. Parece salada de restaurante! Salada para 5 pessoas! O que foi na salada de hoje:
-1 pé de alface pequeno
- 1/4 de um pé de acelga grande
- 1 cenoura ralada
- 1 pepino cortado em cubinhos pequenos
- 1 tomate em cubinhos tbm
- 1/2 cebola picadinha

É de lamber a travessa heheheh

Espero continuar assim! Gosto de salada e de comida que faz bem. Não sou natureba (sem ser pejorativa na palavra), mas gosto de coisas que fazem bem e que são gostosas!

E comecei nesse ano a fazer compostagem, para fazer adulbo para nossa hortinha! Todos os restos de frutas, verduras e legumes vão para nosso cantinho da compostagem! E em algumas semanas vamos começar a plantar na hortinha! Não vejo a hora! E nossas galinhas vão começar a botar e tudo vai ser muito legal para as crianças!

Logo coloco foto da nossa hortinha! Hoje estamos fazendo a cerquinha!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

2011

Deixei passar o fim do ano e já estamos no começo desse ano... Acabei deixando o blog meio parado, não fiz metas, não contei as coisas que fiz... Mas ainda é tempo de fazer um balanço de 2010!
2010 começou bem! Eu estava grávida, esperando o Francisco, meu quarto filho! Eu estava ainda sem saber como seria meu parto. Não tinha nada definido. E nem definiria nada. A Luiza veio para a Bahia em janeiro e eu e os meninos fomos passar uns dias em Atibaia. O Rafa estava trabalhando em um salão no Campo Grande, bairro que eu cresci!
Os meses passaram rápido e posso dizer que 2010 teve muito anos, tantas foram as coisas que aconteceram.
Eu desejava e sonhava com um parto natural depois de 3 cesáreas. A busca durou uns 10 anos em termos de desgaste físico e emocional. Muito mais emocional do que físico! Acho que essa busca pelo parto e as decisões que foram tomadas me ajudou a crescer e a fortalecer meu relacionamento com o Rafa.
Enfim em abril eu pari. Acho que o parto foi tão fácil se comparado à busca por ele... A decisão mais difícil da minha vida eu tive que tomar sozinha. Mentir que eu tinha somente uma cesárea, confinado e acreditando que meu corpo funcionaria direito e arcar com todas as responsabilidades e consequencias caso não funcionasse. Essa foi a decisão mais difícil, sem sombr de dúvida! Acredito que nunca mais terei que fazer uma escolha tão difícil na minha vida e espero não precisar mesmo!
Mas enfim tudo deu certo e eu pari. Não me sinto culpada em sentir que todo o mérito foi meu e do meu marido. Foi mesmo! O Movimento de humanização não foi nada humanizado comigo. Não consegui apoio onde procurei. Não consegui soluções quando pedi. Não tive nem palavaras de conforto quando precisei. Mas isso não tem importância, pois EU CONSEGUI. Ainda tenho um pouco de mágoa sim. Poderia ter sido diferente. Eu poderia ter parido em casa como eu queria. Eu poderia ter tido uma equipe legal comigo. Mas não tive. Por isso levo todo o mérito por ter conseguido meu parto. Eu e meu marido.
Em junho decidimos sair de São Paulo e mudarmos para a Bahia, Feira de Santana. Em julho o Rafa embarcava para cá e em agosto vinha eu e as crianças! Nova vida!
Aqui muita informação nova, muita coisa nova, mas nada que já não estivesse aí! Casa nova, grande e com quintal. Piscina de plástico. Pé de acerola. Pracinha com parquinho. Chamado na igreja (lider de prof. visitante). Blog da igreja (chamado de blogueira da Ala, que segundo o Rafa eu inventei e assumi hahahah). Natal com a minha mãe aqui. E fim! O ano acabou!
Balanço:
No começo do ano tínhamos 3 filhos, agora temos 4.
No começo do ano morávamos em um apartamento de 50 m², agora só a parte de terra do quintal tem 76m².
No começo do ano morávamos em São Paulo, agora moramos na Bahia.
Temos 3 galinhas e dois gatinhos!
Continuamos felizes!

Promessas para 2011:
-ser feliz sempre!!!!!!!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Manifesto pelas mães

Há uns dias atrás eu vi no Facebook uma imagem que me chamou a atenção. Na imagem tinha a seguinte frase:
"Se você opta por ficar em casa, é acomodada. Ou madame. Se decide trabalhar, é ausente. Você não sabe pra que lado correr. Você é mãe."
Achei o máximo, pois me enquadro na mãe que optou pelos filhos e, por tanto sou considerada acomodada, folgada, encostada e outros adjetivos assim fofos...
Vi que era um manifesto pelas mães, mas achei que fosse só aquela imagem e não cliquei nela.
Passou muitos dias que vi a imagem e eis que vejo novamente no facebook algo sobre esse manifesto. Resolvi entrar para ver o que é e simplesmente vi que 1000 pessoas assinaram o manifesto. SOMENTE 1000 pessoas! Por quê? Será que muitos viram a imagem, curtiram e não buscaram para saber sobre o que se tratava, como eu fiz da primeira vez? Será que as pessoas não valorizam suas mães? Será que as mães não se valorizam? Será que ninguém acha importante divulgar?
Aí fiquei chateada pra caramba! Só 1000 pessoas! Nessa rede gigante de mães pela internet só 1000 pessoas assinaram esse manifesto? Aí resolvi colocar aqui! Não vou copiar o manifesto aqui, pois não pedi autorização, mas peço que entrem aqui e leiam o MANIFESTO PELA VALORIZAÇÃO DA MATERNIDADE. Depois assinem e divulguem! Esse manifesto foi escrito em junho e só tem 1000 asinaturas! Na barra lateral aqui do blog eu coloquei as imagens! Olhem lá!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Querer querer...

Agora eu estava em dúvida se escrevia aqui ou se postava no Coisinhas de Mãe. Resolvi postar aqui pois já passei por isso e acho que tem muito mais há ver com coisas minhas do que com o universo materno.
Quando estava grávida do Pietro eu queria um parto normal. Mas eu queria muito querer de verdade um parto normal. Na verde eu não estava preparada para enfrentar um parto normal depois de duas cesáreas, eu não estava preparada para as dores do parto, não estava preparada para não saber quando o meu filho ia nascer, não estava preparada para EU fazer ele nascer! Eu queria muito um parto normal, mas eu não queria o pacote completo que vinha com ele.
Lembro que ficava lá no meu íntimo (e isso eu nunca contei para ninguém, nem para o Rafa) torcendo para que uma cesárea fosse realmente necessárea!
Pára tudo! Deixa eu explicar melhor! Não queria que meu bebê ficasse mal ou algo assim. Eu queria que alguém olhasse para mim e falasse: olha, tem pouco líquido, cordão no pescoço, você está com anemia ou qualquer baboseira dessas para que eu fosse para uma cesárea com a cabeça mais leve. Fiz um USG com 36 semanas: bebê cefálico, liquido ok, cordão bem longe do pescocinho, dorso à esquerda. E com 38 semansa e 1 dia nasceu o Pietro por cesárea. Ele estava encaixadinho já... Chorei por muito tempo pensando na minha covardia, na minha falta de coragem. E pensava nas inúmeras conversas que tive com ele quando ele ainda estava na minha barriga. Eu falava que eu queria que ele nascesse de parto normal, pedia para ele ficar cefálico, conversava sobre o parto... Aí depois eu pensava no quanto eu tinha sido fraca, covarde, no quanto eu tinha enganado a mim e ao meu filho antes mesmo dele nascer! Olhava aquele bebezinho tão pequeno e ficava imaginando que daquele tamanico ele já tinha acreditado em mim, pois até encaixado ele estava (o Henrique não encaixou, foi tirado antes).
Cerca de um mês após o parto eu voltei para a lista de parto que eu participava e em meio aos emails solidários que recebi eu recebi um que me deixou FURIOSA. Era da AC e dizia que cada um tem o parto que se acha merecedora. Eu fiquei tão brava! Fiquei pensando no motivo dela ter falado isso sem nem ao menos me conhecer! Mas vamos aos fatos daquela época:
-eu queria ter meu filho no Santa Joana, afinal lá era chique e bonito;
-eu queria me sentir completamente segura e, apesar de eu pensar em PD eu tinha era medo;
-eu tinha vergonha de gritar, medo de sentir dor, medo de ter medo...
Foi um conjunto de fatores que me levaram para a terceira cesárea. E eu não merecia um parto normal. Não quando eu estava procurando um motivo para não tê-lo. Não merecia e não achava que conseguiria. Por isso eu rezava lá no meu íntimo, escondido até mesmo de mim, para que "aparecesse" alguma coisa que justificasse uma cesárea.
Hoje eu li uma mensagem na lista sobre parto de uma moça que estava assustada com o resultado do exame de USG dela: pouco líquido e cordão enrolado no pescoço. Não conheço essa moça para falar se ela quer realemnte um PN ou se quer muito querer. Mas esse tipo de email eu conheço, pois eu mesma cheguei a mandar para a lista e para algumas meninas da lista.
Se fosse comigo hoje, se eu fizesse um exame desse hoje e minha GO viesse falar em cesárea eu ia parir em um hospital público hehehe
Hoje, depois de todas as escolhas que eu fiz para conseguir parir o Francisco eu entendo o que a AC falou para mim há quase 3 anos atrás. Quando decidi ter mais um filho, aquela frase que eu tinha lido martelava na minha cabeça ainda e eu queria me sentir merecedora do meu parto. E assim eu busquei. Assim eu escolhi. Sabendo das minhas fraquesas eu me cerquei para que não caisse no conto da cesárea: fiz pré-natal em hospital público onde o GO não tem o menor interesse em internar a paciente para fazer uma cesárea, já que não é ele quem vai fazer. Falei que só tinha uma cesárea para não ficar ouvindo bobagens sobre o enorme risco que eu corria! E foi assim que eu consegui. E foi assim que eu mereci meu lindo parto natural depois das minhas três cesáreas eletivas.
Entrei em TP com 39 semanas e 4 dias. O bebê estava alto, com dorso à direita. Se tinha muito ou pouco líquido eu não sei, pois o ultimo USG que eu havia feito eu estava de 32 semanas. Se ele tinha cordão no pescoço eu tbm não sabia, mas eu sabia que isso não importava para um PN e isso é que era importante. Eu sabia que podia parir, independente de terem me dito que não seria possível!
E eu pari!

sábado, 27 de novembro de 2010

Amor maior?

Há um tempo atrás saiu um comentário em uma lista de discussão que participo sobre a diferença na relação com o filho nascido por cesárea e o filho nascido de um VBAC (parto normal depois de cesárea). Tem difereça no amor, no cuidado, no carinho? No sentimento que se tem por esse filho nascido em um vbac?

Não posso dizer que amo mais o Francisco do que amo a Luiza. A Luiza me mostrou o amor maternal. Lembro como se fosse hoje o sentimento que eu nunca havia experimentado antes toda vez que eu olhava para ela. Foi algo mágico, algo que eu não conseguia explicar, por nunca ter sentido antes. E como eu nunca havia sentido antes eu não entendia e achava tudo maravilhoso! Era tão forte e poderoso aquele sentimento que eu acreditava que jamais poderia sentir aquilo por outro bebê! Como posso dizer que amo mais o Francisco do que a Luiza?

E como posso dizer que amo mais o Francisco do que amo o Henrique? O HEnrique foi meu primeiro menino. Meu tão desejado menino! Eu sempre quis ser mãe de meninos e o Henrique foi o primeiro. Eu sabia assim que fiquei grávida dele que era o meu menino que estava chegando! Quando ele nasceu, aquele amor que eu senti quando a Luiza nasceu foi facilmente reconhecido. Sim, eu era capaz de amar outro bebê! E eu amava meu menino demais!!!!

E como posso dizer que amo mais o Francisco do que o Pietro? O Pietro veio para me ensinar e mostrar um jeito novo de maternar. Me mostrou outros caminhos, me ensinou a ser uma mãe melhor. O Pietro é meu filho passarinho, tão miudinho, magrinho e lindo! Na gravidez dele eu aprendi muito sobre gestação e parto. Depois que ele nasceu eu aprendi muito sobre amamentação, alimentação. Ele me trouxo tudo isso! Ele trouxe meu VBA3C! Como posso dizer que amo mais o Francisco do que o Pietro?

E o Francisco? Amo meu caçulinha lindo! Não amo mais do que amo os outros! Mas alguma coisa mudou, alguma coisa é diferente? Sim. Comparo com um enorme copo de água gelada! Água é água. Precisamos dela e sentimos necessidade de água! Mas um copo de água em um momento qualquer do dia é bem diferente de um copo de água em pleno dezembro escaldante, na 25 de março, no meio daquela muvuca de gente se acotovelando por presentes de Natal. Aquela sede que você sente que a boca chega a ficar seca! Aí você entra em uma lanchonete e fica meia hora só para conseguir comprar uma garrafinha de água que nem gelada está. Aí você abre e toma! E que água mais maravilhosa foi essa que você tomou? Foi uma água deliciosa e você vai saborear cada gotinha dela! E vai ficar feliz e grato por ter conseguido aquela garrafinha, mesmo que não estava gelada!

Meu VBA3C foi tão difícil de conseguir que o sentimento que tenho pelo Francisco é diferente. O Francisco foi meu quarto filho. Água fria! Nada diferente. Aquele amor descomunal que senti pelos outros, aquela emoção ao ver o rostinho dele pela primeira vez, foi tudo igual com os outros filhos. Mas um sentimento diferente ficou. Uma ligação especial. E não foi devido à via de nascimento, não foi o parto normal em si que nos deixou ligados. Acredito que se eu tivesse lutado até o fim e tivesse passado por uma cesárea necessárea, essa ligação, esse vínculo já teria se formado. Olho para ele e sinto uma cumplicidade entre nós. Uma luta, uma batalha que ganhamos juntos. Alguma coisa é maior entre a gente. Certamente não é o amor. E certamente o que fez essa coisa ser maior entre a gente não foi o parto normal, foi a busca por ele. As dificuldades que encontramos, os "nãos", os "... e se...", as dúvidas macabras que nos rondaram durante a gestação toda.

Nossa relação é diferente sim! Não é mais amor. É algo mais! Olho para ele e vejo um lutador, um guerreiro. Muitas crianças nascem de parto normal e um vbac tecnicamente não é mais difícil para o bebê... Mas ele esteve junto comigo nessa luta. Se eu lutei, ele lutou também. Eu pari, mas ele nasceu. E só o fato de termos conseguido juntos um VBA3C já o torna especial para mim!

Não sei dizer o que é. Sei que não é um amor maior. Talvez um dia eu entenda o que é ou talvez um dia esse sentimento passe e fique só o amor. Mas o Francisco é minha garrafinha de água no meu momento de maior sede! Ele é especial para mim!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Excluindo uma postagem!

Tem uma postagem nesse blog sobre uma reclamação de um péssimo atendiemnto que o Pietro teve em um hospital conhecido em São Paulo. Essa semana eu descobri que nos últimos 30 dias 400 pessoas chegaram ao meu blog através de busca no google pelo nome desse hospital. Resolvi tirar essa postagem do meu blog, pois não é esse o foco daqui. Lembro muito bem quando eu estava p*** da vida com o hospital e dei uma busca na internet sobre ele. eu estava brava, irritada e realmente não gostaria de pessoas com esse espírito passando por aqui! Não que estas pessoas não possam passar por aqui. Pelo contrário, são muito bem vindas! Sei que tem pessoas que me seguem e que acharam meu blog através do google por causa desse hospital! Mas 400 visitas por mês só para ver a postagem do hospital é demais! Por isso eu tirei essa postagem desse blog.
Mas eu não queria deixar essa reclamção apagada e por isso eu fiz um novo blog só com a reclamação, assim as pessoas que procurarem por ela, encontrarão. Esse é o Blog. Todos os comentários que foram feitas aqui eu transferi para lá tbm!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Depressão pós-parto, EU???

Tive o parto perfeito, o parto que sonhei, o parto mais lindo do mundo!

O Francisco é um bebê lindo, sorridente, não teve cólicas, não tivemos problemas na amamentação, ele nunca passou a noite acordado, sempre dormiu bem, é sossegado!

Mas veio uma tristeza sem fim quando o Francisco estava com uns dois meses. Mas logo eu achava um culpado: Quem pode ser feliz com problemas financeiros? Quem pode ser feliz morando em um apartamento tão pequeno com 4 filhos? Não dá para ser feliz tendo que limpar bandeja de gatos que fazem cocô toda hora! E como ser feliz sendo dona de casa? É por isso que eu estou tão triste!

E além de triste eu estava sem paciência para nada e com ninguém. Mas como ser paciente com 4 filhos? Não dá para ter paciência com um menininho de 2 anos querendo chamar a atenção! Não dá para ser paciente com crises de adolescente! Não dá!

Triste, sem paciência, desanimada! Mas qualquer um ficaria desanimado morando aqui nesse apartamento com 4 filhos e 3 gatos. Qualquer um não teria vontade de fazer nada aqui!

Além de triste, sem paciência, desanimada, eu também estava irritada com tudo, sonolenta e com vontade de sumir! Mas eu achava que tinha uma razão bem lógica e obvia para tudo isso! Afinal minha vida estava muito ruim! Era assim que eu enxergava!

Mudei de cidade, praticamente mudei de vida! Altos e baixos. Dias bons, dias ruins. Mas sempre achando uma justificativa para tudo isso! Lentamente as coisas foram se agravando. Por mim eu ficaria o dia inteiro sentada na cama dando mamá para o Francisco e só! E os outros filhos e marido? Poderiam simplesmente desaparecer de um dia pro outro! Eu conhecia muito bem esses sintomas, mas seria possível? Sim, de novo!

Tive depressão pós parto quando o Henrique nasceu. Todo o primeiro ano de vida dele eu tenho somente uma lembrança embaçada. Não me lembro muita coisa. Lembro dos momentos especiais: quando ele engatinhou, quando andou e poucas outras coisas. Eu tinha um ciúme fora do comum do Henrique e só eu parecia saber cuidar dele direito. Não podia nem pensar em ter mais filhos. Melhorei quando ele tinha 1 ano.

Quando tive o Pietro eu fiquei bem, não tive nada. Tenho lembranças claras do primeiro ano dele, eu me sentia feliz, animada, morria de vontade de ter mais um filho logo.

E aí veio um filho desejado com um parto desejado e lindo. Tudo perfeito! Como eu poderia estar sentindo tudo tão parecido com o que senti quando o Henrique nasceu? Sim, eu estou com depressão pós parto.

Já ouvi que depressão pós parto não existe. Que isso é invenção da mulher. Que é para chamar a atenção... Já ouvi muita bobagem sobre isso. Mas a depressão pós parto existe sim e afeta cada mulher de um jeito diferente. Eu fico assim: triste, implicante, irritada, sem paciência, desanimada, sonolenta, com vontade de me isolar. Não rejeito o bebê. Na verdade fico querendo ele mais perto de mim. Sinto como se o BB fosse o único que não vai me julgar. Dessa vez eu não estou com ciúmes do Francisco, mas é o único filho que quero por perto. É muito triste todos esses sentimentos. Ainda mais para mim que tenho praticamente tudo o que quero. Tenho os filhos que quis ter, tenho minha linda família, tive meu tão desejado e sonhado VBA3C que eu posso dizer com muito orgulho que consegui praticamente sozinha, tenho filhos lindos, saudáveis e felizes. Hoje moro em uma casa enorme e linda. Posso não ter dinheiro, mas isso não é o que mais importa na vida hehehehe Como posso ter esses sentimentos tão horríveis? Como posso deixar esses sentimentos me transformarem tanto?

Assim que reconheci os sintomas e ACEITEI a depressão pós parto eu procurei ajuda. Estou tratando com florais e homeopatia. Comecei o tratamento há pouco tempo, menos de uma semana, e ainda não tenho muitos resultados. Mas sei que vou superar mais essa assim como superei da outra vez.

Tenho dias bons e dias ruins. Tem dias que estou bem, que brinco com as crianças, me divirto, me sinto feliz e animada. Em contrapartida fico dias me sentindo mal. O pior é ter que fingir. Eu não consigo deixar transparecer. Eu não consigo sair de casa e ficar com a cara triste. Costumo estampar meu melhor sorriso e fingir estar bem! Eu acho bem mais fácil uma cara feliz, pois ninguém vem fazer perguntas. Uma cara triste sempre traz a pergunta: “o que você tem?”. E eu não vou me abrir para qualquer um.

A depressão pós parto é assim. Acho que para a maioria das mulheres é meio vergonhosa. Principalmente para aquelas que tem tudo, como eu. Quando a mulher engravidou sem querer, teve um parto ruim, se separou ou está passando por um momento difícil aos olhos da sociedade, fica mais fácil assumir, pois vai ter um culpado. Algo como “Ah! Ela teve depressão pós parto pois engravidou sem desejar” ou “Ela teve depressão pós parto pois acabou de se separar do marido/é mãe solteira/perdeu o emprego assim que voltou da licença...”. Não estou menosprezando esses problemas, mas para a família, amigos e conhecidos fica bem mais fácil entender a depressão pós parto quando tem um problema visível. Mas e quando a vida parece perfeita e você vive a vida que escolheu para si? Aí os comentários são outros: “Isso é o que você escolheu” ou “Você que quis assim” ou “você que quis ter um monte de filhos”... Sim, eu que escolhi tudo isso que eu vivo e sou muito feliz por ter tudo o que sempre sonhei (menos dinheiro hehehe), mas não estou feliz nesse momento. Espero dar a volta por cima e logo lembrar desse período como um sonho ruim ou um pesadelo.

Escrevi esse texto para mostrar que a depressão pós parto não escolhe mulheres tristes. Ela apenas surge em qualquer mulher, forte, fraca, feliz ou triste, que estejam passando por momentos difíceis na vida ou que estejam vivendo a vida que pediram à Deus, que tenham passado por coisas tristes ou que tenham passado pelos momentos mais gloriosos da sua vida! Ela simplesmente vem e o que temos que fazer é reconhecer, assumir e tratar!

E vida nova depois disso é o que espero!